29 de mai. de 2019 - Por bruno

Foto: Divulgação
A Fundação Norte-rio-grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec) há bem poucos dias era uma entidade praticamente desconhecida da população, mas ela apareceu quando decidiu, voluntariamente, na ânsia de cobrir o erro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), fazer a posse do novo reitor no Teatro Riachuelo. A FUNPEC apareceu para a sociedade informando que o custo do aluguel do Teatro Riachuelo para posse do novo reitor com todas as pompas seria dela.
Pra quem não se lembra, a Universidade, em um período de austeridade e de contenção de recursos, decidiu fazer a cerimônia no Teatro Riachuelo ao custo de R$ 30 mil, entre aluguel e outras despesas, o que provocou revolta da sociedade e até de acadêmicos. Nessa inda e vinda, a FUNPEC passou a ter os holofotes da polêmica por, do nada, ter aparecido para pagar conta batendo no peito e informando para a sociedade que era uma entidade privada.
Esqueceu apenas de informar que é uma instituição privada mas com a maior parte dos recursos oriundos de convênios com entidades públicas.
A partir desse episódio, a imprensa e a população passou a querer conhecer mais a Fundação e a olhar as suas finanças. A Funpec foi criada em 1978 e, desde então, só era conhecida pela comunidade acadêmica. Praticamente inexistia conhecimento dela por parte da população.
Em poucos dias veio à tona uma série de situações controversas. Foi descoberto contratos de R$ 4 milhões para empresa de eventos padrão cinco estrelas, de R$ 50 milhões com empresa de publicidade sem que o mercado potiguar tivesse conhecimento, entre outros tantos.
Pior há suspeitas até de irregularidades e favorecimento em contratos junto ao Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) na época da implantação do Selo Verde, já que a contratação da Funpec por parte dos donos de postos de combustíveis era uma exigência imposta do órgão ministerial. Na época, cada dono de posto pagou cerca de R$ 15 mil para conseguir o selo.
Esse valor era duas e até três vezes mais caro que o cobrado pelo mercado, mas o que valia era a exigência do MP. Alguns postos de combustível da capital chegaram a fechar.
Vale destacar que a Funpec grande parte dos seus recursos oriundos do poder público, ou seja, do nosso dinheiro. Essas receitas da Fundação vêm de convênios com a própria UFRN, que abastece cerca de 70% do caixa, de estatais como a Petrobras, do Ministério Público e ainda de organizações do chamado Sistema S.
Mas a situação é ainda pior. A Funpec se nega a dar esclarecimentos acerca desses recursos, desses contratos com valores altíssimos e prefere se esconder em meio a um enorme silêncio, acreditando que ninguém mais vai falar sobre o assunto.
Contudo, essa caixa-preta deve ser aberta em breve. Órgãos de controle, fiscalização e investigação como Ministério Público Federal (MPF), Polícia Federal (PF), Controladoria-geral da União (CGU) e Tribunal de Contas da União (TCU) já estão de olho.
Fonte: Blog do BG
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