17 de jul. de 2014 - Por bruno
Ei, você, que está olhando pra tela. Entende, ou pelo menos desconfia, que existe uma força natural que rege todo o processo chamado “vida”, certo? Uns chamam essa força de Deus, outros de mãe natureza, outros de energia, outros de molécula de carbono, enfim. Até ateus reconhecem a existência de uma força natural que rege e balanceia essa tal de vida humana.
Também entendemos, ou pelo menos desconfiamos, que o nascimento de pessoas acontece, em linhas gerais, a partir de um processo natural extraordinário fazedor de vida humana que, complexo por excelência, “talvez” seja o maior milagre da vida.
Bebês não são (ao menos não deveriam ser) encontrados em prateleiras de lojas que produzem e comercializam bebês. Não são um bem mercadológico que se pode adquirir a prazo, se decidir as características psíquicas e o dia apropriado de ir buscá-lo.
Se você acha que isso tudo é o básico do básico, que esses temas basilares são óbvios e indiscutíveis, infelizmente, você está enganado.
Descrentes (ou ignorantes) da sabedoria da natureza, escolhemos automaticamente por dar a luz aos filhos no hospital através de uma intervenção cirúrgica. Afinal, quem é que pode perder tempo e sofrer maiores incômodos nos dias modernos de hoje, não é mesmo? Além de que parto normal é coisa de hippie, coisa de europeu, aquele povo jeca e não civilizado.
Pessoas sãs que somos, porém, não cansamos de ir além: a novidade agora é anteciparmos a data do parto. Por qual motivo? Para escolher o signo do bebê, oras. E não se trata de um factoide ou uma matéria de site de humor. O fato é repercutido pela matéria que saiu na Folha.
Ao abrir o link você poderá ler coisas do tipo “Recentemente, a atriz Ana Paula Tabalipa declarou ter antecipado o parto do quarto filho para que ele não fosse virginiano. Segundo ela, o bebê nasceu `quase prematuro` e precisou ficar na UTI.”
Dentre a enxurrada nonsense, lê-se que outro motivo que leva as mães a optarem pela cesárea eletiva (sem urgência) são as datas cabalísticas.
Se de fato é real o que essas mulheres falam na reportagem (mandem parar o mundo que eu quero descer?), alguém precisa urgentemente pedir a interdição dessas pessoas até que elas adquiram condições para ter e criar um outro ser humano.
Condições psíquicas mínimas mesmo.
Apenas aquelas suficientes para que elas compreendam que não podem determinar as influências cósmicas dos filhos, mesmo que antecipem a data do nascimento (não é bizarro ler um negócio desses?). E que nenhum esforço que elas façam pode mudar a força natural das coisas, por mais que batam o pé ou esperneiem com seus xamãs.
Que elas compreendam que filhos são pessoas. Seres humanos, e não bens, sobre os quais têm poderes dessa grandeza. Que pessoas não serão mais ou menos inteligentes por causa da data de nascimento, mas talvez sofram males muito piores pelas consequências de ações desnecessárias, irresponsáveis e egoístas como essas.
Quem sabe, aprenderão que ter filho é coisa séria, é pra quem jamais arriscaria a saúde de qualquer ser que seja, ainda mais em nome das conveniências de uma data de nascimento.
Por fim, que assimilem a ideia de que não são Deus e que a natureza não pode ser manipulada por elas.
http://www.bestyle.com.br/ferroada/2014/7/desumanizacao-do-parto
R7
Fonte: Blog do BG
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