11 de jun. de 2019 - Por rodrigomatoso
Foto: Arquivo pessoal
Raíssa Ebert é uma das filosofas e psicólogas mais antigas do mundo em exercício e acreditem, o consultório dela é no mar. Raissa é criadora da marterapia, uma técnica que reúne conhecimentos que ela acumulou ao longo de muitos anos de estudo em vários países do mundo.
Mas a notícia, desta vez, não é sobre o original jeito de trabalhar, nem sobre a vitalidade desta encantadora senhora, é sobre a decisão que ela tomou recentemente de mudar o próprio nome. No auge de suas mais de 8 décadas sendo conhecida como Therezinha, a psicóloga resolveu aos 85 anos de idade, pedir para os amigos começarem a chamá-la de Raissa e não mais de Therezinha como foi batizada. Ela gostou tanto da experiência que nas suas idas e vindas entre o Brasil e a Europa resolveu acionar a justiça brasileira para fazer a mudança definitivamente em seus documentos. A audiência com o juiz será nesta terça-feira (11) às 9 horas da manhã, no Fórum Miguel Seabra Fagundes em Natal . Abaixo segue uma entrevista com a psicóloga.
Como você se sente no alto dos seus quase 90 anos de idade?
Vivemos várias fases, a partir de nossa vida embrionária até a última respiração, até a morte. Vamos mudando sempre. O corpo vai mudando.A hierarquia de valores muda também. Na fase em que me encontro,sinto-me cada vez mais leve , mais livre, tenho muito mais tempo para fazer o que escolho fazer. Sou muito rica de tempo! Minha serenidade vem aumentando, os medos e ansiedade diminuindo. Inclusive o medo da morte.
Por que resolveu mudar seu nome?
Resolvi mudar de nome por causa das mudanças que ocorreram em minha vida. Meu nome era Therezinha e me incomodava muito por vários motivos.Um dos motivos é o INHA (diminutivo). Costumam chamar pessoas idosas de senhorinha, senhorzinho. No hospital, as atendentes e enfermeiras nos dizem “ponha seu pezinho aqui… Fique sentadinha, fique quietinha”..Outro dia numa sala de espera perguntei à atendente se eu não podia ficar só sentada em vez de ficar sentadinha. Ela me olhou assustada, vacilou e me respondeu: “sim a senhora pode ficar só sentada”..(sem o detestável INHA). Sorri agradecida e me sentei. Nós, idosos somos pessoas merecedoras de respeito e reverência por tudo que já vivemos e fizemos. Não somos crianças velhas.
Hoje me sinto uma mulher forte, respeitável. O nome que escolhi é Raissa. Hebraico. RA significa FORTE. Em Egipcio significa NOBRE. ISSA em hebraico quer dizer mulher. Hoje me sinto mulher forte. Estou exercendo o direito de escolher meu nome verdadeiro: RAISSA.
Como passar dos 80 com tanta vitalidade?
Tornei-me esta pessoa forte com certa leveza,vivendo essa trajetória de 87 anos . Brincando muito em minha infância, fechando-me na adolescência, amando sempre os livros, começando a questionar crenças adquiridas.
Na vida adulta iniciei o exorcismo que pratico até hoje. Estudei Filosofia e Teologia na PUC de São Paulo, tornei-me Orientadora Educacional e Psicóloga Junguiana, Terapeuta Cognitiva Comportamental, Psicodramatista . Continuo estudando sempre e participando de Congressos. Sou a criadora de MARTERAPIA. Ser Marterapeuta me dá muito prazer e alegria profunda. Conduzo Oficinas de Jardinagem Terapia, outra paixão de minha vida.
Vivencio alguns lutos que também me fortalecem.
Não existe receita para se envelhecer vivendo intensamente. Cada pessoa encontra seu caminho. Enquanto mantivermos a paixão pela vida, a capacidade de admirar pessoas e o Universo, continuaremos nosso desenvolvimento. Até a última respiração podemos aprender e vivenciar coisas novas…Trabalhar e cuidar de pessoas e coisas nos impulsionam a viver cada vez mais serenamente. Podemos envelhecer florescendo e iluminando.
Mas você percebe que é uma exceção entre os idosos, né?
Escrevi 7 desejos para o final de minha vida porque quero morrer com dignidade. Sem doenças, sem remédios, sem hospital. Quero morrer em paz. Agradeço aos Amigos que puderem me ajudar a realizar esses desejos.
Hoje a maioria dos idosos vive uma subvida. Não se amam o quanto deveriam se amar e respeitar. Acreditam em medicamentos industrializados e usam muitos que acabam gerando doenças. Alimentam-se muito mal. São sedentários e vêm TV demais. Ficam deprimidos. No Brasil o maior índice de suicídio se encontra na faixa etária dos idosos. Este é mais um indício da baixa qualidade de vida dos idosos.
O que precisa mudar? Educação da população em geral e do próprio idoso (a). Mudar crenças e paradigmas.
A pessoa idosa não é uma pessoa doente, surda, caquética, aleijada, imprestável, inútil. Não precisa viver numa cadeira de rodas ou na cama, dependendo de cuidadores inaptos e muitas vezes cruéis e assassinos.
Políticas Públicas devem considerar e prover conforto e dignidade para o idoso. Gosto de minha vida como está acontecendo hoje. Gosto muito de atender pacientes dentro do mar, de oferecer Oficinas de Jardinagem Terapia, cultivar um Viveiro de Plantas, Plantar flores na rua, Dar Palestras sobre Envelhecimento: ENVELHEÇA SEM MEDO, ENVELHEÇA E FLORESÇA, ENVELHEÇA E ILUMINE.
Gosto de um Grupo de Pessoas que se reúnem semanalmente para refletir sobre assuntos vitais, comer e rir…
Gostaria que todos os idosos no Brasil e no Mundo tivessem uma vida confortável , leve e serena como a minha.
Fonte: Blog do BG
Carregando comentários...

09 de ago. de 2026

09 de ago. de 2026

09 de ago. de 2026

09 de ago. de 2026