26 de dez. de 2024 - Por Gabi Fernandes
A inflação da Argentina deve chegar abaixo de 100% nos 12 meses encerrados em janeiro de 2025. A taxa anualizada deve atingir 85% no período, segundo estimativa da agência de classificação de risco Austin Rating.
A última vez em que a variação interanual da inflação argentina esteve em um patamar de 2 dígitos foi em janeiro de 2023 (98,8%), sob a presidência de Alberto Fernández (Partido Justicialista, esquerda). De lá para cá, o pico se deu em abril de 2024 (289,4%), já no governo de Javier Milei (La Libertad Avanza, direita).
Leia o infográfico abaixo:

Razões para a desaceleração
Milei vem promovendo corte de gastos em sua administração, como a retirada de subsídios. Durante a campanha, o presidente argentino havia feito a promessa de que reduziria drasticamente as despesas. O simbolismo se deu ao erguer por diversas vezes a motosserra.
O libertário reduziu o número de ministérios de 18 para 9 em seu 1º decreto como chefe de Estado. Interrompeu a maioria das obras públicas e diminuiu o repasse de recursos para províncias, educação e saúde. Também vetou o aumento para aposentados. As medidas têm levado o país a registrar superavit fiscal mês a mês.
Economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini reforça que os preços de bens e serviços na Argentina continuam a crescer, mas em um ritmo menor. Ele diz haver algumas razões para a desaceleração brusca:
Pobreza em patamar elevado
Em 26 de setembro, o Indec (Instituto Nacional de Estatística e Censos) informou que 15,7 milhões de pessoas estavam em situação de pobreza no 1º semestre de 2024. Se estendido às áreas rurais, o número chega a 24,9 milhões de argentinos, resultando em 52,9% da população total do país nessa situação.
Esse número diz respeito à média mensal para os 6 primeiros meses do ano.
Na prática, o Indec indica que 3,4 milhões de argentinos passaram a figurar em situação de pobreza nos 6 meses iniciais da gestão de Javier Milei. Ao todo, 5,4 milhões de argentinos estão em pobreza extrema (18,1% da população).
Em 19 de dezembro, o Conselho Nacional de Coordenação de Políticas Sociais projetou a taxa de pobreza em 38,9% no 3º trimestre de 2024.
Poder 360
Fonte: Blog do BG
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