04 de dez. de 2022 - Por Rodrigo Freire
Foto: Mirella Lopes
A Prudente não é mais de Morais. Pelo menos, no trecho entre as ruas Ceará-mirim e Mossoró, ela é o endereço de um sem-número de mendigos, que estão tomando conta das nossas principais vias, e ninguém faz nada. São cruzamentos com grande fluxo, avenidas e ruas num processo de ocupação pela esmola, diante da mais completa falta de ação das autoridades.
Claro que este é um problema de todas as cidades, mas no volume que constatamos, aqui, ainda não tinha conhecido. A Prudente está na rota desse artigo, pois é uma das principais vias da cidade, onde estão localizadas pequenas, médias e grandes empresas. Natal passa pela Prudente.
Um leitor embriagado pelo politicamente correto pode dizer: “Deixem eles em paz”. Mas pergunto: “Existe paz na sarjeta?” Eles também são filhos de Deus e merecem muito mais do que dormir na companhia do lixo e dos ratos. São vidas estacionadas nas calçadas. Crianças a mercê do sol, chuva, doenças, atropelamentos, e da mais completa falta de higiene e educação. Quem pensa no próximo, não pode aceitar essa situação. Dormir nas ruas é viver o pesadelo da violência social e física.
Essa situação deteriora nossa imagem nos dois sentidos. Tanto porquê constatamos nossas principais ruas tomadas por mendigos de dia, e debaixo das marquises à noite, como também pelo fato da nossa cidade tolerar de braços cruzados inúmeros seres humanos vivendo nessa situação. Não somos os responsáveis por esse triste fato, no entanto não fazermos nada. Se nos negamos a cobrar melhorias, nos aproximamos muito de sermos cúmplices, já que estimulamos com nossa esmola.
— Ruim para o turismo, pior para o comércio.
Não é só o que você doa mas o que a cidade perde. Nossa paisagem decadente reflete diretamente na desvalorização dos imóveis, no acesso às empresas, na proliferação de doenças e, no pior, nas pessoas que vivem com o sinal eternamente fechado em suas vidas.
Não tenho pretensão de solucionar o problema do dia para a noite. Devemos ver como outras cidades estão combatendo essa questão. Hein? Foi a pandemia? Mas o coronavirus atingiu todo o Brasil e não vemos essa intensidade de mendigos nas outras cidades.
Melhor do que dar esmolas, é dar atenção à sua causa. Fui pesquisar como algumas cidades, umas mais e outras menos desenvolvidas, enfrentaram o problema. Segundo o Centro Nacional de Direito sobre Falta de Moradia e Pobreza dos EUA, num estudo realizado em 187 cidades dos Estados Unidos descobriu que 76% proíbem mendigar em locais públicos específicos e os 24% restantes proíbem em toda cidade. Algumas cidades sugerem aos seus cidadãos que façam as doações a instituições de caridade e não aos mendigos. Inglaterra, idem. Em Belfast, foi adotado zonas livres de mendicância e na capital da Nova Zelândia, Wellington, está educando, dando vouchers e exigindo que os mendigos tenham licenças. Em Oklahoma, nos EUA, é proibido pedir esmolas nas proximidades de restaurantes, cafés, escolas, caixas eletrônicos e banheiros públicos.
Uma ideia interessante foi em Albuquerque, no Novo México, que adotou o programa There’s a Better Way (existe um caminho melhor). Uma van sai recolhendo os pedintes que estão interessados em trabalhar, pagando para eles recolherem o lixo das ruas, canteiros e retirar as ervas daninhas.
Aqui no Brasil, Fortaleza implantou uma ação para conscientizar a população a não dar dinheiro, não comprar produtos vendidos por crianças e adolescentes nos semáforos e denunciar a exploração do trabalho infantil. A Prefeitura de Fortaleza, por meio da Fundação da Criança e da Família Cidadã, lançou a campanha “Não dê esmola. Lugar de criança e adolescente é na escola”. A Prefeitura de Campina Grande lançou um movimento para combater a mendicância de crianças e adolescentes nas ruas: “Quem dá esmola, não dá futuro”. A campanha teve apoio da Promotoria de Justiça de Defesa da Criança e do Adolescente, que instaurou procedimento para cobrar do poder público providências capazes de resolver a situação dos menores pedintes.
Tem quem pense que existem mendigos super bem de vida. — Menos, minha gente. Quem está tão bem assim, não dorme no chão nem deixa seu filho de 5 anos caminhar entre carros em movimento. Mas não descarto que este problema possa ser estimulado por alguns partidos. De uma forma ou de outra, prefiro me ater aos fatos.
Acredito que todos os mendigos, na verdade, querem oportunidades para saírem das ruas. Sonham em terem um teto e alguma possibilidade de emprego. Vamos ajudar cada pedinte a atravessar a rua da amargura sem ser atropelado pela indiferença e pelo preconceito.
Precisamos dar 1 real de atenção a situação deles.
Marcus Aragão
Instagram @aragao01
Fonte: Blog do BG
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