04 de dez. de 2020 - Por rodrigomatoso

Foto: Divulgação
Hoje vamos viajar. Não é para Gramado nem para o Monte das Gameleiras — destinos obrigatórios dos natalenses devido a pandemia. Vamos embarcar num #tbt de sexta-feira com destino à Europa para conhecermos duas fake news históricas.
Aterrizaremos em 1232. Veremos o Papa Gregório IX, fundar a Santa Inquisição perseguir mulheres, homossexuais, judeus, ateus e gatos. Gregório devia ter uma alma de cachorro pois detestava os felinos. Afirmava que “o diabólico gato preto, cor do mal e da vergonha, havia caído das nuvens para a infelicidade dos homens”. Esta será nossa primeira fake news disfarçada de fé.
— Santa inquisição, Batman!
A estratégia oculta era atacar os celtas pregando que eles eram bruxos. Como os celtas costumavam viver isolados e rodeados de gatos, os animais foram associados as trevas, especialmente por terem hábitos noturnos. Para se ter uma ideia da barbárie cometida contra os gatos basta citar que foram emparedados vivos para garantir a solidez de casas, igrejas e castelos. Já pensou? As paredes europeias, além de ouvidos, tem esqueletos de gatinhos. Os bixanos foram ainda lançados do alto de muralhas e, como todos sabem, queimados vivos junto com as bruxas.
Um dia a conta chega — e chegou feito a peste. O extermínio dos gatos teve graves consequências. Fazendo uma escala em 1348, vimos que a Europa sofreu enormemente com a Peste Negra. A bactéria Yersinia pestis residia na pulga do rato preto indiano que chegou ao velho continente por meio de embarcações. Como última alternativa de controle da doença os gatos foram readmitidos nas cidades e somente assim a epidemia teve fim.
Pasmem. Essa missão tão nobre poderia ter absolvido os felinos de novas perseguições. É difícil de acreditar mas a Igreja continuou culpando os gatos pela peste e deu continuidade a uma dura perseguição. As fakes news não param jamais — Devem ter 7 vidas.
Lendo sobre nosso passado percebemos que a verdade é sempre óbvia demais. Porém, quando se está inserido no contexto da época, sabemos que não é nada fácil ter discernimento. Seguir narrativas é mais fácil. Geralmente nos deixamos levar, sem sentir, por correntezas ideológicas.
Não precisamos viajar para conhecermos as fake news. Elas sempre estiveram e continuam por toda parte. As mais perigosas são as que estimulam os instintos primitivos como a raiva e a violência pois é sempre mais fácil contagiar do que construir o espírito altruísta. Por isso, o mal é mais fácil de se propagar, de transmitir.
A única arma contra isso é a educação, o ensino, a cultura. Quanto mais evoluída uma sociedade mais ela fica blindada contra discursos de intolerância porque sabemos que devemos ser tolerantes não porque somos bonzinhos — mas porque somos espertos. Afinal, a conta sempre chega. Não aceite intolerância nem contra um gato porque um dia quem pode pagar o pato, é você.
Marcus Aragão
Publicitário
@aragao01
Fonte: Blog do BG
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