19 de set. de 2013 - Por bruno
Uma via expressa de 260 milhões entre um engarrafamento e outro
O projeto de reestruturação da Av. Roberto Freire (Natal – RN) é a mais completa tradução da desarticulação e falta de prioridade e planejamento dos nossos governantes. Com o custo de 259 milhões de reais, a obra prevê construção de novas faixas para carros, ônibus, ciclovias, canteiros, viadutos, passarelas e túneis entre o Viaduto de Ponta Negra (sobre a BR 101) e a Av. Praia de Tibau (Conjunto Ponta Negra). De responsabilidade do governo estadual (a avenida é uma RN), o projeto já licitado e contratado foi elaborado de forma unilateral, sem um debate mais aprofundado e qualificado com a população e com especialistas na área, e sem a devida articulação com os órgãos responsáveis pela mobilidade urbana em nossa cidade.
Que a atual avenida requer intervenções e melhorias para otimizar o seu uso e o fluxo de veículos, não resta a menor dúvida. Mas diante do volume de recursos destinados à obra (que terá um custo médio de cerca de 60 milhões de reais por Km) a questão é: esta obra é prioritária para o enfrentamento dos graves problemas de mobilidade urbana na região e em nossa cidade? E a resposta é NÃO.
Longe de apontar soluções para a melhoria dos transportes públicos e de massas, o projeto de reestruturação da Av. Roberto Freire anda na contra mão e atropela o bom senso ao ter como foco o transporte individual. Na verdade, o que se quer construir em plena área urbana é uma via expressa de 4 km entre um engarrafamento e outro.
“Solução” adotada em várias cidades do mundo há 50 anos, quando prevalecia a ideologia do uso e da primazia do transportes individuais para deslocamento e acessibilidade das pessoas aos bens e serviços, as vias expressas isoladas em áreas urbanas estão sendo substituídas por projetos de mobilidade com prioridade para transportes públicos coletivos. Estes incorporam vários modais, de forma a garantir sustentabilidade e melhor qualidade de vida nos centros urbanos.
O projeto de reestruturação da Av. Roberto Freire, da forma como está concebido, mudará significativamente o perfil daquela que é uma das nossas mais belas avenidas, avançando por uma faixa do Parque das Dunas (que é uma unidade de conservação), impactando negativamente a rede de oferta de comércio e serviços ali estabelecidos e, o que é pior, em nada ou em muito pouco contribuindo em soluções para os nossos gravíssimos gargalos na área de mobilidade.
Tivessem nossos gestores visão de futuro e prioridades administrativas, os 260 milhões de reais disponibilizados pelo governo federal para obras de mobilidade urbana em nossa cidade seriam melhor aproveitados em obras que, de fato, enfrentem os graves problemas de mobilidade, não só da Av. Roberto Freire, mas também de outras tantas vias públicas de Natal e, mesmo, de nossa região metropolitana.
Mas o que esperar de um (des)governo que paralisou o estado e não consegue concluir obras como os acessos ao aeroporto de São Gonçalo do Amarante, o prolongamento da Prudente de Morais e o Pró-Transporte?
A sociedade e os órgãos de controle precisam reagir e debater o projeto da Avenida Roberto Freire, cobrando da #desastRosa gestão do DEM a abertura necessária para o acatamento de sugestões e de opiniões. Mesmo já assinado o contrato, como ainda não foram elaborados o projeto executivo e o EIA-RIMA, ainda é tempo de se evitar o desperdício de recursos públicos.
Deputado Fernando Mineiro
Fonte: Blog do BG
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