31 de mai. de 2023 - Por Mariele Araujo
Reprodução
No sábado, dia 20/05, tive uma das piores experiências que se pode passar ao viver na 4ª cidade mais violenta do mundo. Sim, a 4ª cidade mais violenta do mundo, segundo o World Population Review de 2020. Pois bem, acordei muito cedo e, para não acordar mais ninguém em casa, fui tomar café da manhã em uma padaria em Lagoa Nova.
Estacionei o carro por volta das 05h50, pensando em caminhar um pouco enquanto a padaria abriria às 06h00. Quando desci do carro, fui abordado por dois criminosos armados que insistiram para que eu entrasse no carro novamente. No momento em que percebi que estava sendo vítima de um assalto, quis voltar no tempo e me arrependi profundamente de ter saído de casa. Enfim, muito a contragosto, tive que entrar no veículo, apesar de tentar inutilmente convencê-los a levarem tudo sem mim.
Os primeiros instantes foram muito tensos, pois os bandidos estavam preocupados em mostrar que estavam no comando e em inibir qualquer suposta tentativa de reação da vítima. A sensação de impotência, a saudade da família e o terror instalado se fundiram em uma explosão de adrenalina capaz de ressuscitar um cavalo.
A tensão só se dissipou levemente quando os sequestradores perceberam que eu não iria reagir e estava disposto a cooperar. Eles queriam PIXs!!! Ora alternando a arma entre minha cabeça e minha barriga, comecei a tentar fazer as transferências. Tremia bastante, mas consegui lembrar das senhas. Sempre tive receio de esquecê-las durante uma situação como essa. Como a primeira tentativa foi antes das 06h00, o aplicativo do Banco do Brasil bloqueou. Ficamos rodando pela cidade enquanto eu tentava inúmeras vezes fazer as transferências. Dei graças a Deus quando conseguimos fazer a primeira. Jamais passou pela minha cabeça reagir. É uma situação muito desigual, e certamente não estaria aqui para contar a história.
Tivemos que tentar várias vezes com valores menores e para uma segunda conta PIX. Não entendo por que uma tentativa dava errado e outra, na sequência, dava certo, mas tudo bem. Esgotamos o saldo da minha conta-corrente do Banco do Brasil. Após esperar os comparsas sacarem aos poucos os R$ 5.000,00 transferidos e temendo a todo instante um confronto repentino com a polícia, fui liberado 1h40 após o início, apenas com as fotos das minhas filhas.
Não temos tempo para lamentar. É correr contra o tempo para bloquear os cartões, ligar para o seguro, mudar a senha, fazer um boletim de ocorrência, resgatar o chip da operadora, comprar outro smartphone e tranquilizar a família que ligava a todo instante. Antes do final do dia, a ficha cai e a conta chega. O corpo, tão bombardeado com adrenalina e em estado de hiper vigilância, arreia, deseja descansar dessa maratona. No entanto, para mim, ainda não terminou.
Assim que o Banco do Brasil abriu na segunda-feira (22), informei o ocorrido, trocamos as senhas e solicitamos um novo cartão. Fui muito bem atendido por todos na agência estilo da Avenida Campos Sales. No final da tarde, recebi uma ligação do banco informando que meu caso estava em análise e que a liberação do aplicativo, que ocorre em São Paulo, só aconteceria muito provavelmente na terça-feira. Até aí, tudo bem. Expliquei que precisava utilizar minha conta e, já que havíamos trocado todas as senhas, não via motivo para mantê-la bloqueada.
Passou a terça-feira e nada. Quarta-feira, idem. Na quinta-feira, retornei à agência e, apesar de ter sido mais uma vez bem atendido, informaram que a análise ainda estava em andamento. Apesar de ser grato pela gentileza dos gerentes, mencionei que minha experiência com o Banco do Brasil estava sendo conduzida tanto por eles quanto pelo pessoal de São Paulo, que relutava em liberar meu aplicativo. Expliquei que não estava satisfeito. Confesso que fico pensando se o pessoal da análise desconfia de mim, apesar de décadas de relacionamento e de depositar tanta confiança. Em meio ao estresse do sequestro relâmpago, essa situação desnecessária torna tudo um pouco mais difícil.
Hoje, um amigo entrou em contato comigo e disponibilizou as filmagens do momento inicial do assalto. Confesso que não quis assistir. O que preciso ver é a minha situação com o Banco do Brasil, pois já fazem quase duas semanas que tento liberar minha conta. Já que a equipe de São Paulo analisa tanto, vamos todos analisar juntos essa situação. Seria lentidão? Pouco caso? Desconfiança? Enfim, não dá para precisar. Difícil será resgatar a satisfação com o banco.
Escrevi este artigo para compartilhar com você, meu leitor incrédulo, o que aprendi com minha experiência ao ser vítima de um sequestro relâmpago: não reaja! Mas, quando você se deparar com uma insatisfação relâmpago com o seu banco, reaja! Comente nas redes sociais e, principalmente, tenha uma conta em outra instituição bancária para não ficar refém do Banco do Brasil. Não sei quando serei liberado dessa situação.
Marcus Aragão.
Instagram: @aragao01
Fonte: Blog do BG
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