15 de jan. de 2023 - Por Rodrigo Freire

Foto: Divulgação
Chegou a hora de acordarmos para essa situação inconveniente — A questão dos motoqueiros barulhentos da madrugada. Antes de começar, reforço meus agradecimentos a todos os motoqueiros ou motoboys que batalham “no corre” diário para garantir o sustento e, hoje, se tornaram indispensáveis para nossa economia. As farmácias agradecem, os restaurantes, o Rappi, o Ifood, enfim toda a sociedade reconhece a entrega de vocês. Muitas vezes arriscam a própria vida neste trânsito caótico para proporcionar o pão de cada dia para suas famílias.
Acontece que tem uma minoria que se desgarrou da maioria profissional de pais de família e homens de bem e que insiste em arranhar a imagem desta categoria tão importante. Esses motoqueiros barulhentos são uma espécie de pernilongos da madrugada. Quando a sociedade, que igualmente trabalhou durante o dia, aproveita seu sagrado descanso durante a noite, alguns motoboys, que tiraram o cano de escape de suas motos em busca da maior poluição sonora, rondam pelos bairros simplesmente para incomodar.
Realmente não sei qual a satisfação que eles sentem em acordar uma criancinha que demorou para dormir ou mesmo um idoso doente. Qual o prazer que existe em acordar pacientes de um hospital? Esses pernilongos sobre duas rodas que circulam em nossas avenidas não têm a nobreza das muriçocas — Estas estão no “corre” em busca de alimento. Acordar as pessoas é até indesejável. Nossa cidade está infestada e as autoridades não sabem o que fazer.
Fui pesquisar sobre os pernilongos e descobri que estes são atraídos até as pessoas pelo gás carbônico que soltamos pelas narinas. Será essa a razão de os pernilongos motorizados tirarem o cano de escape em busca também de mais gás carbônico? E ficarem numa ronda sem fim inalando essa poluição? Pernilongos de noite, moscas de dia. Por também não dormirem à noite se parecem com moscas de um lado para outro nas ruas, cortando os carros em zigue-zague. Reconhecemos pelo som do cano de escape.
— Nenhuma blitz para pegar as motos sem cano?
Bem, como nossos políticos e autoridades nada fazem, faço um apelo à categoria séria e engajada dos motoqueiros/motoboys profissionais que não deixem essa minoria desgastar a imagem desse segmento. Não só a sociedade é desrespeitada como também essa minoria não respeita a categoria, não respeita nem o próprio dinheiro, já que gastam combustível tão levianamente e não respeitam a própria saúde, ouvindo essa barulheira sem fim.
Caros, motoqueiros do barulho, nessa questão não posso ficar do lado de vocês. Prefiro ficar do lado das velhinhas que se empanturram de Rivotril para dormir mas nem assim conseguem. Estarei do lado de vocês em outras questões, como a situação dos acidentes de trânsito, por exemplo. Acredito que o governo poderia fazer campanhas de respeito aos motoqueiros/motoboys comprometidos com a sociedade. Todos os dias testemunhamos inúmeros acidentes em nossas vias. Em 2022, 85% dos acidentes de trânsito envolveram veículos de duas rodas. É muito! Prontifico-me a criar essa campanha sem custo para o poder público ou privado veicular. Se o governo entra com a mídia, a criação será de graça, por exemplo. Uma maior consciência no trânsito poderia trazer os resultados dos sonhos para todos.
Boa noite.
Marcus Aragão
@aragao01
Fonte: Blog do BG
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