28 de ago. de 2020 - Por Júlio Rocha

Foto: Divulgação
Posso. Claro que posso — mas gosto. O grafite é expressão da arte urbana. E defendo sempre a expressão das ideias — inclusive, as minhas.
Então, vamos começar. Hoje, venho defender o Grafite — o contraponto neste mar de concreto. O respiro de emoção que vem pela inspiração de alguns. Um belo exemplo é o paredão com 300 metros da praia de Miami que está de bom tamanho e sua intensa vibração permitiu um mergulho em todas as cores. Maravilha.
Acontece que a apenas 200 metros de distância — resolvem grafitar os dois lados da escadaria — Ficando 3 paredões gigantes quase vizinhos. Tudo demais é muito mesmo que o excesso seja de arte. Ora, tão próximos é impossível para alguns não terem a percepção de poluição visual. Da mesma forma poluiria se fosse Roberto Carlos cantando ao mesmo tempo que Caetano — São excelentes mas ao mesmo tempo satura pelo volume de informação. Isoladamente, os desenhos são perfeitos mas eles não são vistos isoladamente — sempre em conjunto.
Logicamente, esse assunto só esta sendo colocado aqui porque os locais são públicos — se fosse numa propriedade privada não fazia sentido o debate.
Grafite é a cereja do bolo e não o bolo de cereja.
Quem ama o grafite defende sua exposição correta e não sua saturação que pode levar a alguma rejeição. Foco na solução. Vejamos o case de sucesso feito em 2011 em SP — O Museu Aberto de Arte Urbana de São Paulo — um conjunto de 66 painéis de grafite, de 4 metros de altura cada, instalados nos pilares que sustentam o trecho elevado da linha 1 do metrô da capital paulista. Ideia desenhada pelo maiores 58 grafiteiros do Brasil. Ficou belíssimo e não tem como saturar pois a velocidade média dos carros não permite. Imagine a velocidade média de quem sobe uma escadaria.
Vão querer pixar este artigo dizendo que sou contra a arte urbana mas sei que os grafiteiros não pensarão assim – eles são a favor da expressão e que uma intervenção respeitosa pode melhorar qualquer paisagem.
Todo paredão um dia será grafite?
Não deveria. Muita exposição desvaloriza a arte. Limitar é despertar o desejo. Certamente quem autorizou quis acertar, mas nem sempre se acerta apenas querendo. É importante a busca constante pela melhoria. E aqui vai minha pequena contribuição. Tem inúmeros lugares em Natal propícios para expor o grafite — então vou sugerir aleatoriamente. Um bom lugar seria na Avenida Monsenhor Walfredo Gurgel. Tem um paredão enorme que liga o baldo com a avenida do contorno — margeando o Rio Potengi.
Se você não concorda com meu ponto de vista. Pode não gostar que mesmo assim está tudo certo. Democracia é poder pensar diferente.
Convido vocês a colocar o branco da paz na escadaria e transferir essas obras de arte para as margens do Rio Potengi — Teríamos uma arte para receber os primeiros raios do sol em Areia Preta e outra para se despedir deles no Rio Potengi — onde o crepúsculo seria a participação de Deus assinando essa nova paisagem.
Marcus Aragão
Publicitário
@aragao01
Fonte: Blog do BG
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