29 de mai. de 2022 - Por Rodrigo Freire

Foto: Divulgação
Nos EUA ocorreram 2.054 ataques de armas de fogo em escolas. Leia de novo. Agora imagine a quantidade de criança morta. Pronto. Não é fake news. É o resultado do estudo realizado pelo Centro de Defesa e Segurança Interna da Escola de Pós-Graduação Naval em Monterey – California. Os assassinos poderiam ter utilizado facas, punhais, foices, picaretas, bombas, mas pela comodidade, praticidade e eficiência escolheram armas de fogo.
Segundo a ONG Gun Violence Archive, os EUA tiveram 2000 tiroteios em massa desde 2012. Tiroteios em massa é quando morrem ou ficam feridos mais de quatro pessoas. Esse é um dos efeitos colaterais do armamento que não queremos por aqui.
— Não vou ficar atirando para todos lado. Vamos aos fatos.
Nesta terça-feira (24) um jovem de 18 anos, armado com dois fuzis semi-automáticos matou 19 crianças e dois professores. Já pensou isso em nossa cidade?
Imagino um hater falando: — Vamos armar todas as crianças. Elas tem que saber se defender.
Como não perco tempo com haters, volto ao texto. No RN, algum tempo atrás soube que um Vaqueiro foi alvejado pela própria esposa. Antes ainda, um Jippeiro foi morto pelo amigo. Teve também um empresário que matou o irmão. Foram mortos por bandidos? Não. Pessoas de bem que perderam a cabeça porque estavam armados. A arma, nesses casos, não trouxe proteção. Apenas levou vidas.
O armamento, na melhor das hipóteses, vai nos afastar dos bandidos tradicionais e nos aproximar de assassinos de ocasião. Quantas homens comuns se tornarão bandidos porque perderão a cabeça e no lugar de disparar um bom “filho da p***” vão deixar a inconsequência puxar o gatilho? Além do homicídio, vão ferir de morte todos os seus sonhos… sua liberdade.
Já pensou nas brigas de trânsito? Nas discursões nos bares? E os conflitos de casal? Veremos assalariado versus profissional liberal; motorista contra passageiro; primo x irmão – Tenho absoluta certeza que se voltasse o tempo todos prefeririam não estar armados.
“Temos que poder nos defender”. “Só os bandidos podem ter armas?” Bem, se desarme e vamos pensar um pouco. Sei que você vai fazer todos os cursos; Será avaliado em psicotestes; saberá desmontar e montar uma arma; Mas terá sangue frio para trocar bala com real perigo de morte? E se sua família estiver ao seu lado? Aumentando o risco das balas atingirem seus filhos… Você tem muito a perder e o bandido pode não ter nada… Ninguém deve entrar numa luta tão desigual.
Não preciso falar que num assalto o fator surpresa está com o bandido. Nesse caso, sua arma não vale nada. Se pensa em atirar pelas costas lembre que pode ter um ou dois comparsas do outro lado da rua.
Antes de ficar depressivo com essa reflexão saiba que nos EUA as depressões estão terminando em muito mais mortes do que no resto do mundo. É que muitas vezes quando o suicida não tem êxito, ele se arrepende. E essa possibilidade não existe quando você está com uma pistola .40 apontada na cabeça.
“Estar armado é para minha proteção”. Bem, você acertou na mosca mas errou o alvo. Se adiantasse mesmo, os marginais não matariam covardemente os policiais. Sabia que o índice de homicídio aumenta demais se o bandido descobre que você esta armado? Segundo o Atlas da Violência, suas chances de ser morto aumenta em 56%… Isso o facebook não mostra! O que mostra são vídeos plantados cuidadosamente pela indústria armamentista onde um popular descarrega sua pistola e bota pra correr meia dúzia de invasores da sua garagem.
Contra bandidos vamos armar fortemente os policiais. A população, pode ser pior.
Novamente imagino outro hater argumentar: “População armada, pode se defender de regimes autoritários”. Huuummm, será? É mesmo? Quantos amigos seus, armados com pistola na cintura, são necessários para abater um tanque? Ou para derrubar um caça?
Segundo a pesquisa da Universidade de Stanford, na Califórnia, os ferimentos por arma já são a segunda principal causa de morte de jovens nos Estados Unidos. Isso, o Whattsapp também não mostra.
É muito simplório falar que vai reduzir a violência apenas armando a população. Além de enganosa a informação distancia da verdadeira solução que temos que cobrar dos governantes: Investir na educação, liberar o aborto para reduzir o número de jovens da periferia que entram na criminalidade e, claro, tolerância zero — Foi mais ou menos isso que Nova Iorque fez para reduzir a violência na década de 70. Sei que o aborto é bem polêmico mas estou apenas relatando o que NY fez.
Bem, que as vidas abreviadas das crianças nos EUA, do Vaqueiro, do Jippeiro e do empresário nos ajudem a meter uma coisa na cabeça de todos: Quando se arma uma população está se colocando ao mesmo tempo, alvos em cada um de nós.
Marcus Aragão
Instagram @aragao01
Fonte: Blog do BG
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