05 de ago. de 2026 - Por Gabi Fernandes
Foto: Evaristo Sá
O ex-chefe de gabinete do presidente Lula (PT) Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, é um dos assessores mais próximos do petista e deixou o cargo há duas semanas para atuar na coordenação da campanha à reeleição. Sua atribuição é cuidar da agenda do candidato em parceria com o ex-ministro Gilberto Carvalho, como ocorreu em 2022.
Na segunda-feira (3), Marcola afirmou ter recebido pagamentos de Roberta Luchsinger —investigada pela Polícia Federal e amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha— referentes a um empréstimo feito com a empresária. “Nunca tive nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade no exercício de minha função”, disse em nota.
Dois homens de terno conversam em ambiente formal com bandeira do Brasil ao fundo. O homem à esquerda, Marco Aurélio, é branco, tem cabelos castanhos curtos e lisos e barba castanha, usa óculos e faz gesto com a mão direita; o homem à direita, Lula, é branco, tem cabelos e barba grisalhos e curtos e observa atentamente.
O cientista político Marco Aurélio Santana Ribeiro (esq.) e o presidente Lula em encontro de ministros do Palácio do Planalto, em Brasília – Evaristo Sá – 3.jun.26/AFP
Em dezembro passado, Roberta foi alvo de buscas na Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de débitos não autorizados em aposentadorias e pensões. Segundo a apuração, a fraude teria descontado mais de R$ 6 bilhões de beneficiários do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) de 2019 a 2024.
Lula determinou que o assessor dê explicações sobre o empréstimo obtido com a empresária. Marcola busca constituir um advogado antes de voltar a falar publicamente sobre o tema.
Como chefe do gabinete pessoal do mandatário, o cientista político foi responsável por organizar os compromissos presidenciais e ajudar com materiais para tarefas diversas, como a elaboração de pronunciamentos, segundo o site do Palácio do Planalto.
Além disso, servia como um dos principais contatos de políticos que buscavam falar com o chefe do governo. Lula não tem telefone celular. Quem precisa falar com ele liga para Marcola ou para outra pessoa de um grupo reduzido que está sempre próximo do petista.
Marcola foi assessor pessoal e político e era responsável por planejar e acompanhar reuniões e viagens antes do início do terceiro mandato. Foi também coordenador-executivo das agendas das caravanas de Lula pelo Brasil em 2017 e 2018.
O cientista político foi um dos principais interlocutores de Lula durante a prisão em Curitiba, de abril de 2018 a novembro de 2019. Responsável por atender a pedidos diversos, como a distribuição de recados a políticos e amigos, ele foi, segundo a coluna Mônica Bergamo, um dos “pombos-correios” do então ex-presidente ao levar as cartas de Rosângela Silva, a Janja, com quem o petista se casou em maio de 2022.
“Eu comecei a recolher notícias de amigos, porque achei que era isso que ele [Lula] queria que eu fizesse. [Perguntava] como estava a moral de alguns movimentos e de alguns sindicatos. […] Quando eu chegava em casa à noite, pegava o histórico de todo mundo que me ligou e mandou WhatsApp, colocava isso em uma carta e entregava para ele no dia seguinte”, disse Marcola em entrevista à jornalista Julia Duailibi no documentário “Visita, Presidente”, da GloboNews.
Hoje, Marcola é um dos atores da disputa no núcleo de comunicação de Lula. Segundo aliados, o ex-chefe de gabinete e o ministro Sidônio Palmeira, da Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência), debateram sobre o tom de peças publicitárias e o rumo da campanha até que o presidente interrompesse a discussão com um soco na mesa. Marcola e Sidônio afirmam a pessoas próximas que não há mal-estar e que não houve briga.
Natural do município de Caraguatatuba (SP), Marcola é mestre em ciência política pela UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), instituição em que cursou graduação em ciências sociais. Antes de trabalhar com Lula, foi assessor parlamentar na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) e na Câmara dos Deputados.
O apelido de Marco Aurélio Santana Ribeiro já gerou associações do assessor a Marco Willians Herbas Camacho, também conhecido como Marcola, apontado como chefe máximo da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).
Em setembro de 2024, Marcola entrou na Justiça com um pedido de indenização por danos morais contra Taka Yamauchi, então candidato do MDB à Prefeitura de Diadema (SP). A AGU (Advocacia-Geral da União) entrou no caso poucos dias depois para processar o emedebista pelos crimes de calúnia, difamação e injúria.
Yamauchi, hoje prefeito do município do ABC, foi condenado em abril de 2025 pela Justiça de São Paulo a pagar R$ 14 mil por danos morais ao cientista político. Em dezembro do mesmo ano, a Justiça Eleitoral de São Paulo o sentenciou por difamação e injúria eleitoral, com pena fixada de quase sete meses de detenção. Cabiam recursos em ambos os casos.
Em março deste ano, o assessor de Lula moveu uma ação judicial contra o deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP) para que o parlamentar se explique sobre ter afirmado que Marcola se encontrou com Daniel Vorcaro, do Banco Master; ter insinuado que o presidente se encontrou com o ex-banqueiro; e ter sugerido que câmeras do Palácio do Planalto foram desligadas para reuniões secretas.
Folha de S. Paulo
Fonte: Blog do BG
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