08 de jun. de 2015 - Por bruno
Foto: Marcelo Carnaval/Arquivo / Agência O Globo
Dois anos depois de apresentar ao país um novo tipo de manifestação, um estilo que até então só era visto em países da Europa e nos Estados Unidos, os black blocs agora usam as redes sociais para se posicionar — ainda de forma contestadora e veemente — sobre os mais variados temas. Atacam a corrupção no futebol, as remoções feitas em favelas, o quebra-quebra recente na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e a ação policial. No Facebook e no Twitter, sobram críticas ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e defesas ao único dos ativistas do Rio que ainda está preso por conta das manifestações: Igor Mendes da Silva.
No último dia 18, o desembargador Siro Darlan, da 7ª Câmara Criminal do Rio, deferiu uma liminar e suspendeu o processo aberto contra 23 ativistas acusados de associação criminosa e atos violentos nos protestos de 2013 e 2014. Nesta terça, a 7ª Câmara decide o mérito.
— Estou doido para falar (sobre as manifestações), mas não posso, porque vou julgar a causa — disse Darlan.
Enquanto isso não se resolve, a defesa dos ativistas Elisa Quadros (Sininho), Karlayne Moraes Pinheiro (Moa) e Igor espera que o pedido de habeas corpus deles seja julgado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Sininho e Moa são consideradas foragidas da Justiça, mas para seu advogado, Marino D’Icarahy, “estão na clandestinidade” e “não têm que se entregar a este Estado”.
No dia 18 de março, a Justiça do Rio mandou soltar Caio de Souza e Fábio Raposo, ambos de 23 anos, acusados de acender e atirar o rojão que matou o cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Andrade, no dia 6 de fevereiro de 2014, durante protesto próximo à Central do Brasil. Os ativistas respondiam por homicídio triplamente qualificado, mas em 19 de março a 8ª Câmara Criminal de Justiça do Rio desclassificou o crime, e decidiu que a dupla passará a responder apenas por explosão seguida de morte. A pena, que variava de 12 a 30 anos de prisão, agora vai de dois a oito anos. O Ministério Público estadual disse que vai recorrer.
— A decisão tem que ser respeitada e acatada. Não posso ir contra, mas acho, como filha, com o apoio do Ministério Público, que eles devem voltar a responder pelos crimes do início do processo — disse Vanessa Santiago, filha do cinegrafista.
O Globo
Fonte: Blog do BG
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