06 de jun. de 2022 - Por Gabi Fernandes
![[ÁUDIO] EDITORIAL: PADRE MURILO - Tocar fogo em veículos de comunicação e ameaçar jornalistas não resolve](/_next/image?url=https%3A%2F%2Fassets.blogdobg.com.br%2Fuploads%2F2021%2F04%2FModelo-2.png&w=3840&q=75)
Foto: Divulgação
Conhecido pelo bom humor e pela intensa atividade pastoral, o padre Murilo de Paiva, pároco de Parnamirim e capelão do santuário dos mártires de Uruaçu, é um bom homem.
Mas, em sua homilia na celebração da missa neste domingo, ele se deixou levar pela ira e pela necessidade de defender um colega de batina e sacerdócio contra o qual pesa a acusação de ter cometido uma grave infração ao Direito Canônico.
Indignado com a repercussão do caso do padre Júlio César, pároco de Candelária, padre Murilo recordou tempos que remontam ao cangaço, quando padres organizavam exércitos e andavam armados.
Tudo isso numa homilia em que disse que nos tempos do frei Damião se tocaria fogo na rádio e tevê em que trabalha o jornalista que tem criticado a Igreja após a divulgação do áudio que compromete o padre Júlio César.
É perfeitamente compreensível a indignação do padre Murilo com o que chama de “tribunal da internet”, em que pessoas pegas em flagrante erro são julgadas e condenadas sem o mínimo direito à defesa.
Mas o padre Murilo também sabe ou deveria que suas palavras tem poder de mobilização. Se o jornalista tem exagerado em críticas a Igreja após a divulgação do áudio em que uma mulher arranca do padre de Candelária a confissão de ter tido relações íntimas com o noivo dela, dias antes do casamento, cabe aos internautas, ouvintes e telespectadores julgarem.
Se a Igreja Católica discordar ou enxergar crime de opinião nas palavras do jornalista, que o processe judicialmente e busque seus direitos.
O que não cabe ao meu amigo, padre Murilo, é fazer ameaças na forma de alusão aos tempos em que cangaceiros imperavam no sertão nordestino
Os tempos são outros, padre Murilo. Vivemos, por exemplo, tempos em que a Igreja Católica já deveria ter revisto alguns dogmas ou punir, de fato, os que cometem desvios éticos.
Nos tempos da internet, padre Murilo, pessoas e instituições precisam zelar por suas condutas, sob pena de terem suas ações e omissões julgadas com rapidez impressionante.
Definitivamente, o que não cabe são ameaças é incentivos à agressões a jornalistas e veículos de comunicação.
Dito isto, este blogueiro expressa sua irrestrita solidariedade ao jornalista Gustavo Negreiros, a 96FM e a TV Ponta Negra, ambas empresas, que sequer tem alguma participação nas críticas do jornalista.
A padre Murilo, de quem sou amigo pessoal, de quem gosto, de quem admiro com padre e de quem sou seguidor no conselho deliberativo do meu ABC, do qual ele é presidente também com meu voto, fica meu repúdio nessa situação.
Peço inclusive que ele reflita sobre as palavras disparadas no púlpito da igreja e como um homem de fé e que sabe perdoar, faça sua mea culpa.
Fonte: Blog do BG
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