16 de dez. de 2015 - Por bruno

Foto: Divulgação
A equipe econômica foi avisada na terça-feira (15) à noite, um dia antes, que a agência de classificação de risco Fitch havia decidido retirar do Brasil o selo de bom pagador. A decisão foi anunciada oficialmente nesta quarta-feira (16), num dia em que o mercado já está funcionando sob tensão por causa das notícias sobre uma eventual saída do ministro Joaquim Levy (Fazenda) do governo.
Segundo assessores presidenciais, a decisão da Fitch chega num péssimo momento, com o governo acuado pelo processo de impeachment contra a presidente Dilma, e tende a piorar o cenário econômico nesta reta de final de ano. A decisão da Fitch foi atribuída por auxiliares à iniciativa do governo de reduzir a meta fiscal, tomada na véspera.
Ao retornar ao Ministério da Fazenda logo após o anúncio da decisão, o ministro Joaquim Levy afirmou que o mais importante neste momento é a votação das medidas enviadas ao Congresso de aumento de tributos para ajustar o Orçamento de 2016.
“Acho que tem de ser um esforço de todos os brasileiros neste momento. A gente não pode entrar o ano sem ter votado as coisas que são essenciais e que vão permitir suportar o nosso orçamento”, afirmou.
Levy disse ter recebido apoio do presidente do Senado, Renan Calheiros, com quem esteva reunido no momento do anúncio do rebaixamento, para aprovar as medidas do governo. Entre elas, está a volta da CPMF.
“Depois do ano que vem, vamos também ter de continuar a fazer as reformas, ajustar o que a gente precisa ajustar, para a economia brasileira voltar a crescer, as famílias terem tranquilidade. É isso que a gente tem de fazer agora em defesa do Brasil.”
Em nota divulgada cerca de uma hora após o anúncio da Fitch, o Ministério da Fazenda afirma ainda que a decisão da agência “remete às dificuldades oriundas do ambiente político e da capacidade e da determinação do governo em implantar medidas para corrigir o deficit orçamentário de 2016”.
Segundo a Fazenda, apesar das dúvidas sobre a capacidade do governo de alcançar um superavit primário adequado e votar os tributos necessários, o ministério “tem a convicção de que o Brasil possui as condições para enfrentar o atual choque negativo nos preços de alguns dos itens da sua pauta de exportação, assim como os desequilíbrios fiscais decorrentes da expansão do gasto fiscal e para-fiscal nos últimos anos”.
“O enfrentamento sereno, mas firme, das atuais necessidades de financiamento do setor público e das reformas exigidas para dar as condições para o crescimento à economia continuarão proporcionando segurança aos investidores domésticos e internacionais e, especialmente, às famílias brasileiras”, diz a nota.
JUROS E DÓLAR
Também em nota, o Banco Central afirma que o rebaixamento “não altera o sentido ou a intensidade do ajuste macroeconômico em curso, que já demonstra resultados concretos”. No caso do BC, a principal ação tem sido por meio da taxa básica de juros, hoje em 14,25% ao ano.
O BC diz que “a consolidação da posição fiscal seguirá avançando” e que se prevê uma importante queda da inflação em 2016, fatores que a instituição vê como essenciais para a recuperação da atividade econômica.
Sobre uma possível reação do mercado, afirma que o Brasil possui “robustos colchões de liquidez”, como reservas em dólar, para atenuar ajustes no câmbio e para reduzir excessiva volatilidade no mercado.
A instituição também afirma que o Brasil tem dinheiro suficiente para pagamento da dívida externa, reduziu seu deficit com o exterior neste ano e tem recebido fluxos relevantes de investimentos diretos e em carteira (títulos e ações).
“Esse conjunto de fatores, entre outras características de higidez da economia nacional, deixam o país preparado para mudanças nos cenários econômicos interno e externo”, afirma o BC, que também faz uma referência à alta dos juros nos EUA esperada para esta quarta-feira.
Folha Press
Fonte: Blog do BG
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