06 de mai. de 2020 - Por bruno

Foto: Divulgação
Antes mesmo da conclusão da investigação sobre a interferência política na Polícia Federal, Jair Bolsonaro passou a tratar o caso como encerrado. Em conversa com um auxiliar, na noite de terça-feira (5), chamou de “ridículo” o depoimento prestado por Sergio Moro no sábado. Na definição do interlocutor do presidente, o ex-ministro da Justiça “disparou um traque, não o morteiro que muitos esperavam.”
Em avaliação compartilhada com parte do primeiro escalão do Planalto, Bolsonaro avalia que o procurador-geral da República Augusto Aras não o denunciará ao Supremo Tribunal Federal. O presidente celebrou o fato de que o próprio Moro se absteve de associar a alegada interferência política na PF à prática de crime.
Bolsonaro sustenta que a lei lhe confere a prerrogativa de nomear o diretor-geral da Polícia Federal. E considera “normal” o interesse em acomodar um delegado da sua confiança também no Rio de Janeiro, seu berço político.
No depoimento que prestou à Polícia Federal, Moro reproduziu mensagem de WhatsApp que recebeu de Bolsonaro: “Você tem 27 superintendências, eu quero apenas uma, a do Rio de Janeiro.”
A despeito do alívio aparente de Bolsonaro, o Planalto avança na negociação para a troca de cargos por apoio legislativo dos partidos do centrão. Na improvável hipótese de que o procurador-geral Augusto Aras se animasse a denunciar Bolsonaro criminalmente, o Supremo precisaria de autorização da Câmara para julgar a denúncia. Imagina-se que o centrão funcionaria como um escudo.
De resto, Bolsonaro conta com a lealdade dos generais que comandam escrivaninhas no Planalto: Braga Neto (Casa Civil), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional).
Os três foram citados por Moro como testemunhas das tentativas de Bolsonaro de intervir na PF. Intimados a depor, foram orientados a não conceder entrevistas. Aquiesceram. A perspectiva é a de que levem ao inquérito um enredo unificado. Algo que não ofereça riscos para Bolsonaro.
Assim, a versão oficial deixaria entendido que o presidente mexe na estrutura da PF movido exclusivamente pelo interesse público, não para submeter uma polícia de Estado aos seus dramas pessoais e às conveniências de sua encrencada família.
Continuará boiando na atmosfera uma pergunta que transcende à escolha de nomes: Por quê promover uma dança de cadeiras num órgão que exibe desempenho de mostruário? Embora desacreditada, a investigação prossegue.
JOSIAS DE SOUZA
Fonte: Blog do BG
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