18 de fev. de 2020 - Por rodrigomatoso
Foto: Reprodução/G1
Ao deixar o Palácio da Alvorada, nesta terça-feira, Jair Bolsonaro falou sobre o depoimento de Hans River do Rio Nascimento à CPI das Fake News, na semana passada.
Ao falar à comissão, o ex-funcionário de uma agência de disparos de mensagens em massa por WhatsApp ofendeu e fez insinuações de cunho sexual sobre uma repórter da Folha.
“Olha a jornalista da Folha de S.Paulo. Tem mais um vídeo dela aí. Não vou falar aqui porque tem senhoras aqui do lado. Ela falando: ‘Eu sou […] do PT’, certo? No depoimento do Hans River, no final de 2018, para o Ministério Público, ele diz do assédio da jornalista em cima dele”, disse Bolsonaro.
Em seguida, o presidente diz, aos risos:
“Ela [repórter] queria um furo. Ela queria dar o furo a qualquer preço contra mim. Lá em 2018, ele [Hans] já dizia que ele chegava e ia perguntando: ‘O Bolsonaro pagou para você divulgar pelo Whatsapp informações?’ E outra: se você fez fake news contra o PT, menos com menos dá mais na matemática. Se eu for mentir contra o PT, eu estou falando bem, porque o PT só fez besteira.”
E ainda:
“Tem um povo aqui [referindo-se ao grupo de simpatizantes na porta do Alvorada]. Alguém recebeu no ‘zap’ uma matéria qualquer que suspeitou para prejudicar o PT e me beneficiar? Ninguém recebeu nada. Não tem materialidade, zero. Você não precisa mentir para falar sobre o PT, os caras arrebentaram com Petrobras, fundo de pensões, BNDES.”
Em 2018, a Folha publicou reportagens sobre a contratação de empresas de marketing que teriam realizado envios maciços de mensagens políticas durante a campanha eleitoral, o que é proibido por lei.
Entidades repudiam
Nesta terça, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) divulgaram nota conjunta em repúdio aos ataques:
“A Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) protestam contra as lamentáveis declarações do presidente Jair Bolsonaro ao ecoar ofensas contra a repórter Patrícia Campos Mello, do jornal Folha de S.Paulo.
As insinuações do presidente buscam desqualificar o livre exercício do jornalismo e confundir a opinião pública. Como infelizmente tem acontecido reiteradas vezes, o presidente se aproveita da presença de uma claque para atacar jornalistas, cujo trabalho é essencial para a sociedade e a preservação da democracia.”
Há uma semana, no dia 11 de fevereiro, a mesma repórter da Folha já tinha sido alvo de ataques. Durante a sessão da CPI, Hans River disse que Patrícia Campos Mello “se insinuou” para ele para tentar obter informações sobre disparos de mensagens.
Com O Antagonista e G1
Fonte: Blog do BG
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