04 de ago. de 2026 - Por Rodrigo Freire
O Brasil encerrou o primeiro semestre de 2026 com 6.341 empresas em recuperação judicial, alta de 6,2% em relação ao fim de 2025. Apesar de o número permanecer em nível recorde, o ritmo de crescimento foi menor que o registrado no mesmo período do ano passado (7,3%), segundo o Monitor RGF-Bizdoc.
O estoque de empresas em recuperação atingiu o pico de 6.513 casos em maio, mas recuou para 6.341 em junho, uma redução de 172 empresas. Para o coordenador do levantamento, Cláudio Damasceno, ainda é cedo para falar em mudança de tendência, mas o resultado pode indicar um primeiro sinal de estabilização.
Estudo mostra uma mudança no perfil das empresas que recorrem à recuperação judicial
Desde 2023, o número de microempresas em recuperação quase triplicou, passando de 513 para 1.575 CNPJs, enquanto a incidência entre essas empresas mais que dobrou. Já entre as grandes companhias, a procura caiu, impulsionada pela migração para a recuperação extrajudicial.
Juros elevados, crédito mais restrito e alto endividamento
Especialistas apontam que o cenário é resultado da combinação de juros elevados, crédito mais restrito, alto endividamento e demora das empresas em buscar reestruturação financeira. Segundo eles, muitas companhias recorrem à recuperação judicial apenas quando já esgotaram as alternativas de negociação.
O levantamento também alerta para os impactos na cadeia produtiva. Fornecedores costumam ser os primeiros afetados, absorvendo prejuízos com deságios e prazos maiores para receber, enquanto bancos endurecem a concessão de crédito diante do aumento dos riscos.
Na avaliação dos especialistas, a redução das recuperações judiciais dependerá de uma melhora consistente do ambiente econômico, com queda dos juros, maior oferta de crédito, redução da inadimplência e uma busca mais precoce das empresas por medidas de reestruturação.
Fonte: Blog do BG
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04 de ago. de 2026

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