22 de out. de 2021 - Por Ângelo Boanerge

Foto: Arquivo pessoal
Em viagens aéreas, animais de estimação podem passar muitas horas confinados, o que pode levá-los à morte. Donos de pets denunciam que o descaso com cuidados mínimos – como a presença de pessoas que possam prestar socorro aos bichos em caso de mal-estar durante o voo – tem contribuído para desfechos fatais. Em menos de um mês, dois cães morreram em aviões da companhia aérea Latam – em um deles, um american bully de 4 anos passou, segundo relato de seu dono, por pelo menos sete horas enclausurado, entre a chegada ao aeroporto com a antecedência solicitada pela empresa e e o voo, no porão da aeronave. Os episódios desencadearam uma forte pressão para que o serviço, muito procurado por viajantes amantes de pets, seja regulamentado com urgência.
De acordo com a Associação Brasileira de Empresas Aéreas, 121.309 pets foram transportados pelas companhias associadas (Gol, Latam e Voepass) de janeiro a setembro deste ano. Em 2020, foram 142.543 animais viajando, e em 2019, 152.582. Os dados consideram o transporte tanto na cabine de passageiros quanto nos compartimentos de carga dos aviões e nos porões “com temperatura controlada”. Com medo de maus-tratos, muitos proprietários de bichos, sobretudo cães, têm recorrido a laudos médicos que alegam a necessidade de “apoio emocional” para que os animais viajem junto eles dentro da cabine do avião.
O engenheiro civil Giuliano Conte, de 29 anos, que perdeu o american bully no dia de seu aniversário, durante um voo pela Latam, ainda pensa se entrará com algum pedido de reparação judicial, que incluiria danos morais – pela perda afetiva envolvida – e materiais. Na Latam, para voos dentro do Brasil, o custo de transporte de um cachorro varia de R$500 a 900, dependendo do peso do pet. Isso para viajar no bagageiro, como foi o caso do animal de estimação de Conte. Em outras companhias, para viajar na cabine, o valor do transporte pode subir para quase R$ 2 mil.
Para viajar até Aracaju, no Sergipe, Weiser teve de ser alojado em uma caixa de madeira com o dobro de seu tamanho, por volta das 8h, embora a decolagem, de São Paulo, só estivesse prevista para 12h30. O engenheiro conta que recebeu a notícia trágica da morte de seu melhor amigo ao chegar ao Aeroporto Internacional de Aracaju, no último dia 13. Um mês antes, no 14 de setembro, num voo entre Rio e São Paulo, a morte do golden retriever Zyon, de 2 meses e quatro dias, já tinha provocado grande repercussão em torno do tema. A tutora do animal, Gabriela Duque, de 24 anos, disse que Zyon embarcou, às 13h, em um voo que levou cerca de 50 minutos até o destino, mas apenas às 15h30 o filhote foi levado até ela. No momento do encontro, o animal já se apresentava dificuldades em respirar, segundo nota divulgada pela assessoria da dona do animal, à época.
– Esse momento está sendo complicado, mas espero que o episódio sirva de exemplo, para que não se repita mais. As companhias aéreas tentam se omitir ao máximo sobre essas situações -afirmou Giuliano Conte, que, antes de decidir por uma ação judicial, tenta proteger a esposa, que está grávida de três meses e sofreu forte imipacto emocional com a morte do animal. — Estamos muito abalados, vamos esperar a poeira abaixar.
Após o incidente envolvendo o cão Weiser, a companhia informou que está “consternada com o ocorrido” e que “já vinha fazendo uma análise profunda de todos os procedimentos deste tipo de transporte, e neste lamentável evento cumpriu todos os processos de forma correta”. Mas, “diante deste cenário, a empresa decidiu neste momento suspender a venda para o transporte de pets no porão das aeronaves nos 30 próximos dias para o mercado brasileiro”. A exceção vai para o cliente que já adquiriu o serviço e não preferir o reembolso. Neste ano, a empresa já transportou 65.029 pets, tanto dentro do país quanto para o exterior. Desses, 23.878 viajaram no porão, 40.132 na cabine e 1.019 tinham aval para apoio emocional e acompanhamento de passageiros com necessidades especiais. E houve dois registros de mortes.
Para ler a matéria na íntegra acesse AQUI.
Fonte: Blog do BG
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