15 de dez. de 2013 - Por bruno

Foto: Divulgação
Audálio dos Santos pensou que todo mundo fosse filho de Papai Noel. O motorista de 66 anos achava, inclusive, que tinha DNA do bom velhinho, de tanto que se parecia com ele, com direito a barba branca e barriga saliente. E que poderia lucrar com isso.
“Eu vi um repórter na TV falando que Papai Noel ganhava mais de R$ 30 mil por mês. Pensei ‘quem sabe não dá certo’ e me inscrevi na escolinha.”
Mas ainda não deu.
Com o certificado de um curso de 16 horas para virar Noel numa mão e o currículo na outra, está sem emprego. “Mandei fotos para mais de dez empresas.” De shoppings a grandes redes de magazines. Nenhum telefonema.
Bruno Benetti, 63, já pôs a barba branca de molho –na pia. Como não arranjou o bico natalino, depilou o palmo de pelos que pendia da cara.
Foi a primeira vez desde junho que o professor de italiano botou a espuma e a lâmina para trabalhar. “Parei de fazer a barba em junho, quando alguém me sugeriu tentar emprego como Papai Noel.”
Não conseguiu agendar nem uma visita a casa de família, após fazer contato com duas agências especializadas em atender domicílios. “Pode ser porque eu não tinha experiência”, diz, levantando os ombros e fechando os olhos azul-piscina.
Quando era segurança no shopping Center Norte, Ataíde Bezerra Filho olhava “com alguma inveja” para um colega de firma que sentava no trono do velho Noel. Aos 74 anos, decidiu postular a vaga.
“Faz teeempo que estou inventando de ter esse emprego, mas só em 2013 fui atrás”, diz ele, que atende pelo apelido Papai Noel na Vila Formosa.
“Quem tem fama, deita na cama. Pelo menos vou tentar ganhar um dinheirinho com isso”, conta.
ESCOLA DE NOEL
O ofício também vem pedindo estudo. “Estão exigindo cada vez mais deles”, diz Jorge Occhiuzzio, da agência Papai Noel Brasil.
E formação custa dinheiro.
Na Professor Noel, um curso de 14 tardes custa R$ 2.000. “Preparamos o aluno para tudo. Desde a criança que abre o berreiro até a mãe que pede para, ela mesma, sentar no colo”, afirma o dono do lugar, Ricardo Pimenta Jr.
Mesmo quem não tem dinheiro para investir está se profissionalizando. O Centro de Solidariedade ao Trabalhador formou neste ano 91 pessoas prontas para fazer a alegria natalina.
“Sabemos que 10% deles estão trabalhando. Esse número é maior, muitos não entram em contato depois”, diz Maurício Bertolini, coordenador do curso para papais, mamães e noeletes.
‘DRAG NOELETE’
Os candidatos frustrados a figura mítica listam as dificuldades que encontram. Uma: a concorrência na categoria. Um Noel ganha diária que vai de R$ 200 a R$ 400. Já a de uma noelete varia de R$ 70 e R$ 100. “É claro que vão preferir a menina de sainha. Se divertem os pequenos e também os grandes”, diz o ator Célio Ashik, 68.
E há a diversificação do mercado. Desde 2008, não é um senhorzinho que desce pela chaminé da casa da produtora Teka Barnabé, 56, em Santo Amaro. Uma drag queen com quase 1,90 m, salto e peruca, anima as ceias para até 25 pessoas, vovó incluída. “Ela é ótima. A alegria da festa.”
A “drag noelete” que distribui presentes e piadas atende pelo nome de Tchaka. E anda expandindo seus negócios. Contratou quatro funcionárias, entre outras “drags” e uma anã, e ministra treinamento a todas.
“Não tem baixaria na nossa apresentação. Tem emoção e alegria”, diz ela, que já trabalhou para empresas como Marisa, Dudalina e Santander.
O período de 40 minutos começa em R$ 600. Tchaka diz ter 80 clientes já agendados para o fim do ano. “E o preço vai até o infinito, né? Depende se a ‘drag’ vem de helicóptero, bicicleta, carruagem… Meu bem, com dinheiro, chego até montada numa rena!”
Fonte: Blog do BG
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