22 de jul. de 2020 - Por Rodrigo Freire
Foto: reprodução/YouTube
A captação de recursos por meio da Lei de Incentivo à Cultura, conhecida como Lei Rouanet caiu 35%. A queda foi a maior da última década. A Secretaria Especial da Cultura explicou que a queda ocorreu a partir de abril em função da pandemia do novo coronavírus.
No primeiro semestre deste ano a captação atingiu 199,9 milhões, já nesse mesmo período do ano passado a quantia foi de R$ 306,1 milhões.
O valor é ainda menor que em 2010, naquele ano havia chegado a R$ 484,5 milhões, segundo dados corrigidos pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).
Há unidades da Federação que não chegaram a ter a obtenção de recursos, como Alagoas, Amapá, Roraima e Tocantins.
“A nova realidade reduziu as expectativas de realização de lucros por parte das empresas investidoras e impediu que ocorressem eventos culturais presenciais”, afirmou o órgão, em nota. A Lei Rouanet é um dos principais mecanismos de incentivo à cultura no Brasil.
Ela prevê que as empresas e pessoas físicas possam destinar, a projetos culturais, parte do Imposto de Renda devido. Toda proposta, aprovada pelo governo, pode receber captação de recursos de renúncia fiscal.
Além da Lei Aldir Blanc, o secretário de Cultura, Mário Frias, anunciou em rede social que há mais projetos sendo desenvolvidos para o setor. No entanto, ainda não anunciou quais seriam.
“Já estão sendo criados mais dois projetos de ajuda direta para a classe [artística]. Tudo isso leva tempo e tem que ser realizado dentro da lei”, publicou, em redes sociais, no início deste mês.
O novo secretário tem prometido ainda mudanças em algumas áreas da cultura, como na própria Lei Rouanet. Já em 2019 houve alteração no valor máximo autorizado para um projeto, antes o teto poderia chegar a R$ 60 milhões, isso caiu para R$ 1 milhão.
Em entrevista ao canal do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) no Youtube, o secretário disse que não podem existir “os barões da Lei Rouanet”. “O problema não é a lei, mas quem abraçou a ela para uso exclusivo.”
Frias inclusive apoiou o deputado em uma postagem feita na sexta-feira (17). Nela, Eduardo ataca o PT e a imprensa ao falar sobre a exoneração de Odecir Luiz Prata da Costa, apontado como o maior especialista da Lei Rouanet na reportagem compartilhada.
“Maior especialista em Lei Rouanet? É notório que essa lei foi usada para o PT comprar a classe artística e aquela parte da grande imprensa sempre ignorou esse fato. Por que essa maravilhosa imprensa agora se importa? Estranho seria manter esse tipo de pessoa no governo Bolsonaro”, publicou Eduardo.
FolhaPress
Fonte: Blog do BG
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