13 de dez. de 2017 - Por Rodrigo Matoso

Comemorando 20 anos de sucesso e com muita história pra contar, banda mineira Jota Quest retorna ao Rio Grande do Norte, para única apresentação, no palco do esplêndido Teatro Riachuelo, no dia 4 de janeiro, quinta-feira, como seu mais novo show “Jota Quest Acústico – Musicas Para Cantar Junto”.
Com 2 horas de duração, que incluem 25 canções, novo espetáculo repassa trajetória de sucesso do grupo apresentando seus grandes clássicos em versões acústicas inéditas, além de três novas canções, compostas especialmente para o projeto.
1) Vocês chegam a Natal com um show acústico recheado de canções que ainda embalam o público. Depois de tanto tempo na estrada, como é para a banda ainda manter na memória do público suas canções?
Tudo isso tem sido muito prazeroso e gratificante pra gente. Você poder subir ao palco depois de tanta batalha e poder passar mais de duas horas, compartilhando com galera, canções e emoções reunidas ao longo de duas décadas de sua vida é algo surreal!! Como temos brincado, é uma espécie de “viagem-astral” para dentro de si mesmo. Dias que não deixaremos para tras.
2) Para uma banda de pop rock, um modelo de disco acústico não deve ser fácil de ser construído. Como vocês montaram o show. O que consideraram para não perder a identidade da banda?
Fazer nosso Acústico um sonho antigo. Quando chegamos a cena pop-rock, no final dos anos 90, os Acústicos, produzidos da MTV Brasil, revolucionaram a musica brasileira. Naquela época éramos ainda uma banda muito nova e, apesar de termos recebido o convite, decidimos que seria legal criarmos um repertório maior e mais consistente para que nosso Acústico pudesse ser algo realmente marcante em nossa carreira. Realmente, não foi muito “fácil, extremamente fácil” como imaginavamos. Kkk. Houve certa dificuldade principalmente em faixas mais dançantes e/ou com texturas mais eletrônicas. Acho que o grande barato do formato Acústico é o poder que ele tem trazer as canções a tona. Quando as bases das músicas são feitas com violões, órgãos, pianos e afins, mesmo nas canções mais dançantes, tudo se torna mais delicado e emocionante, privilegiando as letras e as melodias. Foi uma “viagem” muito bacana e no que mais trabalhamos foi em cuidar que cada canção ganhasse uma “vida nova” mas sem perder sua identidade original.
3) A música brasileira não tem apresentado novos grupos de rock, ao contrário de outros hits. A que vocês atribuem esse desequilíbrio?
No meu ponto de vista, uma série de fatores influiu nesse desequilíbrio, entre eles, o triste fim da MTV como plataforma unicamente musical, e o fato de que, com as mudanças no faturamento no mercado fonográfico, inicialmente com a pirataria e logo depois com a chegada do mundo digital, fez com que, durante mais de uma década, as grandes gravadoras, que sempre investiram pesado em nosso seguimento, reduzissem drasticamente seus investimentos em novos artístas, criando assim um grande hiato de renovação.
4) Ao contrário de outros personagens do rock brasileiro, vocês passam ao largo de polêmicas e debates nas redes sociais. Vocês preferem ficar em cima do muro ou só entram em discussão que vale a pena?
Em cima do muro nunca. Estamos sempre dispostos a dialogar e a influir socialmente nos rumos de nosso país. Apenas pensamos que nem sempre as redes sociais são o lugar adequado para se debater posicionamentos.
5) Por outro lado, como vocês analisam o momento político brasileiro, especialmente com artistas diariamente sendo notícia pelas posições políticas que tomam e defendem. Quando vocês acham oportuno politizar e participar do debate?
Tenho 45 anos de idade. Sou cantor desde os 13. Nasci no interior de Minas, cheguei a capital, BH, aos 21 anos, ja formado em ciência da computação. Criamos juntos o Jota Quest e, há 25 anos, temos rodado este pais de ponta-a-ponta, cantando o amor, a paz, a união e a justiça. Não me lembro de ter presenciado momento tão vergonhoso em nossa política e seus desdobramentos. É chegada a hora de uma mudança profunda e radical que deve começar dentro de cada um de nós até encontrar o coletivo. Sabemos que esse caminho é árduo e tortuoso. Estamos acompanhando tudo muito de perto e estamos sempre prontos para atuar nos momentos oportunos. No meu ponto de vista, infelizmente, estes canalhas indignos e seus “podres-poderes” conseguiram o que queriam: nos colocaram (os brasileiros), uns contra os outros, e seguem incólumes fazendo deste país o que bem entendem. É muito triste que este seja o pior momento da nossa história, mas, como diz a canção, “…Vencer é recomeçar/…Quando o sol chegar/Quando o céu se abrir/Saiba que estarei aqui…/Vamos amar no presente/Vamos cuidar mais da gente/Vamos pensar diferente, porque/Daqui Só Se Leva o Amor…”.
Um abracão a todos!!
Feluz Natal e 2018 Na Mora!!
Nos vemos no dia 4/1!!
Rogerio Flausino.
Fonte: Blog do BG
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