13 de jul. de 2019 - Por bruno
Três dias após o site The Intercept Brasil divulgar as primeiras mensagens atribuídas ao então juiz Sergio Moro (hoje ministro da Justiça) para o procurador Deltan Dallagnol e colocar em xeque sua condução do processo da Lava-Jato, Jair Bolsonaro (PSL) levou o seu ministro às tribunas do estádio Mané Garrincha, em Brasília, para assistir à partida entre CSA e Flamengo pela Copa do Brasil.
O evento rendeu foto nas redes sociais oficiais do clube com diretores do Flamengo ao lado de Moro e Bolsonaro, este com uma camisa rubro-negra autografada (o presidente é torcedor do Palmeiras e do Botafogo). A postagem recebeu críticas, elogios e colocou, mais uma vez, o time no meio do polarizado debate político brasileiro.
Antes, no dia 31 de março (data em que o golpe de 1964 completou 35 anos), clubes como Corinthians, Vasco e Bahia se posicionaram contra uma possível celebração da data e recordaram a luta pela democracia. O Flamengo ficou em silêncio.
Um grupo de torcedores do clube, no entanto, se reuniu na sede de remo para lembrar a morte de Stuart Angel, atleta rubro-negro perseguido e assassinado pela ditadura militar. Um dia depois, a diretoria do Flamengo emitiu nota negando participação no ato e dizendo que a instituição “não se posiciona sobre assuntos políticos”.
Angel foi bicampeão carioca de remo pelo Flamengo em 1964 e 1965 e era também integrante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8, que ficaria conhecido principalmente pelo sequestro do embaixador dos Estados Unidos, Charles Elbrick).
O remador já havia sido homenageado pelo clube em 2010, com um memorial. A placa com seu nome, no entanto, desapareceu. Ele também tem um busto no bairro da Urca e nomeia uma ciclovia que passa pelo local.
“Quando já estava na clandestinidade, o pessoal do remo abriu as portas para ele e ele saiu por vontade, para não colocar em risco os companheiros. O clube teve papel no ciclo mais duro da ditadura”, diz David Butter, conselheiro rubro-negro e integrante do Flamengo da Gente, movimento de torcedores e sócios que ajudou a organizar homenagens ao remador.
Ele diz que a nota está em desacordo com o estatuto do clube, que prevê honrar quem prestou serviço ao Flamengo. “Vimos ali uma tentativa não de revisão, mas de silenciamento de parte dessa história”, criticou.
Folhapress
Fonte: Blog do BG
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