02 de set. de 2016 - Por bruno

Foto: Divulgação
A indústria brasileira iniciou o segundo semestre com ligeiro aumento na produção, reforçando as apostas dos analistas de que o pior da crise do setor ficou para trás.
Divulgada nesta sexta-feira (2), a produção industrial teve pequena alta de 0,1% em julho frente ao mês anterior, no quinto mês consecutivo de resultados positivos.
O ritmo menos intenso de recuperação -o setor havia subido 1,3% em junho, pelo número revisado- era esperado por analistas consultados pela agência Bloomberg, que previam estabilidade na produção.
“A tendência de recuperação não muda. Não vamos ver um novo mergulho da indústria, assim como a recuperação também não será rápida”, disse Rodrigo Nishida, economista da LCA Consultores.
Nesses cinco meses de variações positivas, a indústria acumulou alta de 3,7%. O aumento, claro, recupera apenas parte das perdas do ano passado.
Em julho, o patamar da produção das fábricas estava 6,6% menor do que um ano antes, uma diferença menor que a prevista pelos analistas consultados pela agência Bloomberg (-7%).
O setor acumula agora uma queda de 8,7% neste ano e baixa de 9,6% no acumulado de 12 meses.
SETORES
Dos 24 setores da indústria acompanhados pelo IBGE, 11 aumentaram a produção na passagem de junho para julho.
O destaque de avanço foi o setor alimentício, que interrompeu dois meses consecutivos de queda na produção, período em que havia acumulado perda de 6,4%, informou o IBGE em sua divulgação.
Outras contribuições relevante vieram de indústrias extrativas (1,6%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (5,8%), metalurgia (1,6%) e atividade de refino e biocombustíveis (0,4%).
Dos setores que tiveram um desempenho pior na passagem dos dois meses, os de maior relevância foram perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (-2,8%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-7,3%) e veículos automotores, reboques e carrocerias (-1,7%), segundo o IBGE.
CATEGORIA
Das grandes categorias econômicas acompanhadas pelo IBGE (grupos que reúnem produtos por seu tipo de uso), o destaque ficou para bens de consumo duráveis, que avançou 3,3% de junho para julho deste ano.
Foi a terceira variação positiva dos bens duráveis, que acumulam ganho de 11,7% nesse período.
Um dos principais responsáveis pela recuperação da indústria nos últimos meses, os bens de capital -categoria que inclui máquinas, caminhões- recuaram 2,7% frente a junho.
Nesse caso, a queda interrompeu uma sequência de seis meses consecutivos de aumento da produção, período em que acumulou avanço de 14,7%.
FUTURO
A indústria foi um dos destaques positivos do PIB (Produto Interno Bruto) divulgado na quarta-feira (31), ao registrar uma alta de 0,3% no segundo trimestre em relação aos três meses anteriores.
Essa recuperação do setor seguirá lenta nos próximos meses, apoiada na melhora da confiança dos empresários, na redução do nível dos estoques e de uma taxa de câmbio em patamar ainda favorável para as exportações.
Segundo Nishida, da LCA, o setor só não vai reagir mais rapidamente nos próximos meses porque não será acompanhado pela melhora da demanda doméstica, afetada pelo desemprego e pela renda.
“Mas é de se esperar que a indústria tenha mais uma variação positiva do PIB no terceiro trimestre”, disse o economista, que lidera o ranking da Bloomberg dos que mais acertam projeções da indústria.
Folha Press
Fonte: Blog do BG
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