18 de out. de 2014 - Por bruno
A decisão de anunciar a equipe econômica de um eventual segundo mandato da presidente Dilma Rousseff deverá ser tomada ao sabor da reta final da campanha. Essa poderia ser uma cartada para tentar reverter a aversão do mercado financeiro à gestão petista e ganhar apoio extra nos últimos dias. A ideia é defendida por parte dos integrantes da campanha. Outros, no entanto, afirmam que a chefe deveria esperar a resposta das urnas para se posicionar.
Nos bastidores, continuam as discussões sobre quem receberá a missão de recolocar o Brasil no rumo do crescimento. Um dos mais cotados para ocupar o lugar do atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, é seu desafeto e ex-secretário-executivo Nelson Barbosa. Em visitas à Brasília, Barbosa nega que será o indicado pela presidente. No entanto, em conversas reservadas, já chega a dar pistas de quem continuaria na sua equipe caso Dilma consiga se reeleger.
— Ele já está falando por aí como ministro da Fazenda — disse uma fonte do governo.
Barbosa conta com o apoio do ex-presidente Lula, tem bom trânsito no setor público e é bem visto pelo mercado financeiro. Na avaliação de fontes próximas a Dilma, ele é um dos candidatos de mais peso, mas não o único.
O ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, é outro que ganhou força, principalmente depois que se licenciou do cargo para trabalhar na reta final da campanha. Ele tem servido como um contraponto a Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central e futuro ministro da Fazenda caso o candidato do PSDB, Aécio Neves, vença a disputa nas urnas. Publicamente, o ministro nega ser o nome escolhido para comandar a economia a partir de 2015, mas a hipótese não está descartada.
Além de Barbosa e Mercadante, também são cotados para a Fazenda o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e até o ex-secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda Otaviano Canuto, hoje no Banco Mundial. Também não está descartada a indicação de um empresário para a pasta da Fazenda. Um dos nomes que já circulam nos bastidores é o de Josué Alencar, filho do ex-vice-presidente José Alencar. Ele também é cotado para compor a equipe de Dilma no comando do Ministério do Desenvolvimento.
SECRETÁRIOS DEVEM SAIR, DIZ FONTE
Se reeleita, a presidente deve mudar não apenas o comando da equipe econômica, mas também nomes que hoje ocupam postos estratégicos. Integrantes da campanha de Dilma afirmam que o primeiro deles deve ser o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, autor das manobras que deterioraram as contas públicas nos últimos anos.
— Tirar o Arno é até mais importante do que tirar o Guido Mantega (ministro da Fazenda) — disse uma fonte.
O secretário é um quadro histórico do PT e tem muita afinidade com Dilma, o que o tornou um nome praticamente tão forte quanto Mantega, sendo chamado ao Palácio do Planalto com frequência para despachar diretamente com a presidente. No entanto, a fragilidade da política fiscal tem sido um fator de pressão para que ele saia do Tesouro.
Outro que deve deixar o governo é o secretário de Política Econômica da Fazenda, Márcio Holland, que ao comentar o resultado da inflação de setembro, sugeriu que os brasileiros substituíssem a carne bovina, que subiu de preço, por ovos e frango.
A frase enfureceu a presidente, que chegou a ligar para Mantega para reclamar, e foi explorada pela oposição na campanha eleitoral.
O Globo
Fonte: Blog do BG
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