09 de jul. de 2015 - Por bruno

Foto: Divulgação
Por Josias de Souza
Na enfezada entrevista que concedeu à Folha, Dilma ‘Não Vou Cair’ Rousseff riscou um fósforo para mostrar que não há gasolina no tanque que move a oposição, apenas “luta política” e um discurso “um tanto quanto golpista”. Diante do cheiro de óleo queimado, Michel Temer, o vice de madame, levou as mãos ao balde d’água.
A bordo do jato presidencial, a caminho da Rússia, Dilma festejou as reações que provocara: “O Aécio vestiu a carapuça”, exultou, com as labaredas subindo-lhe pelas pernas. Em Brasília, uma repórter perguntou ao vice, agora no exercício da Presidência: a presidente disse que setores da oposição são golpistas, o senhor concorda? E Temer, vertendo precaução e esperteza, respondeu:
“Nós não devemos discutir esse tema. Nós devemos pensar no Brasil. Eu penso que situação e oposição —e a oposição existe também para ajudar a governar, mesmo quando critica—, nós temos que pensar no Brasil. Temos que fazer uma grande unidade nacional. Mais do que nunca é necessário o pensamento conjugado dos vários setores da nacionalidade, portanto dos vários partidos políticos, para que nós caminhemos juntos, em benefício do Brasil. Essas discussões, acho que não vale a pena levar adiante.”
A sagacidade política de Dilma cabe numa caixa de fósforos porque Lula só lhe ensinou o trecho da cartilha que trata da tática do “nós-contra-eles”. A experiência de Temer já lhe permite observar a crise sob a lógica das seguradoras: quanto maior o risco, mais lucrativa a apólice. Ficando Dilma, o PMDB cobrará pelo apoio um preço compatível com a fragilidade da contratante. Saindo Dilma, Temer pode passar de vice a versa. Vai à poltrona principal esgrimindo o discurso da “grande unidade nacional”.
Fonte: Blog do BG
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