16 de mai. de 2013 - Por bruno
Foto: Canindé Soares
O movimento dos manifestantes que tentam manter em R$ 2,20 o preço da passagem de ônibus em Natal é, antes de mais nada, legítimo. A intenção e a realização do protesto são previsões da Constituição Federal. Ou seja, protestar é um direito assegurado.
Isso não impede, entretanto, que alguns questionamentos sejam feitos, principalmente quando consideramos que uma minoria está prejudicando a maioria em um direito igualmente elementar: o de ir e vir – também assegurado pela Constituição Federal.
É inaceitável que um movimento de mil ou duas mil pessoas prejudiquem toda a totalidade de Natal. Para ficar apenas em quem usa ônibus, estamos falando em mais de meio milhão de pessoas. Percebam que, curiosamente, quem vai pagar pela passagem inteira, R$ 2,40, não está nas ruas protestando.
A chamada #RevoltadoBusão tem pecado pelo formato. A rapazeada tem tudo para conquistar a simpatia do resto da cidade e, assim, somar forças a seu protesto. Ao invés disso, afastam quem poderia ajudar quando decide congestionar as vias da cidade. Não é surpresa, portanto, que quem tenha passado o dia inteiro no trabalho e está a fim de chegar em casa não está aprovando essa movimentação.
Outro ponto a ser considerado é a intransigência do grupo. Não tenho dúvida de que a maior parte dos manifestantes é composta por estudantes sérios, interessados realmente na causa social do assunto. Mas há também que utilize a #RevoltadoBusão como instrumento para difundir a baderna. Sempre que questionados a respeito do assunto, os militantes da Revolta tomam a indagação como afronta e não toleram a crítica.
Nada mais é que sugestão. Uma forma de o movimento evoluir seria identificar esses baderneiros e deixar que as autoridades competentes deles tomem conta. Estudante que quer protestar não têm porque ir às ruas com o rosto encapuzado. Ao não fazer nada contra esse tipo de gente, os demais manifestantes avalizam seus atos de baderna e perdem mais um ponto nessa luta.
Fica, porém, uma dúvida a respeito do conflito: a polícia está agindo deliberadamente contra os manifestantes ou é chamada a agir porque responde a provocações?
A resposta desse questionamento é crucial para entender o conflito, que tem sido provocado, via de regra, para conter quem confunde o protesto com atos de vandalismo.
Fonte: Blog do BG
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