18 de jun. de 2014 - Por bruno
Cientistas de Harvard enviaram nesta terça-feira pela primeira vez uma mensagem olfativa transoceânica. A façanha foi realizada mandando uma mensagem especial de um aplicativo em um iPhone em Paris para um console oPhone em Nova York.
Segundo a “Time”, a startup denominada oPhone é uma criação da empresa Vapor Communications, fundada em setembro de 2013 por David Edwards, professor de Harvard, junto com duas alunas suas: Rachel Field e Amy Yin.
“Nosso objetivo é trazer mensagens olfativas aos usuários de celulares sempre que o cheiro fizer diferença para saúde, memória, auto-expressão, entretenimento, viagens ou marketing de conteúdo aromático on-line”, diz o grupo em um comunicado.
Segundo a empresa, no futuro será possível enviar aromas via e-mail, Facebook e Twitter, e até mandar “selfies aromáticas” via celular.
No momento, a empresa oferece dois “hotspots” — locais onde se pode experimentar e conhecer o aparelho e testar sua funcionalidade. O primeiro fica em Paris: Le Laboratoire, 4 rue du Bouloi 75001, aberto das 13h às 19h; e o segundo em Nova York: American Museum of Natural History, Central Park W & 79th St (horários ainda não divulgados).
O oPhone custará US$ 149 para quem se pré-registrar, e US$ 199 em abril de 2015. Um estojo de oChips — pequenos cartuchos aromáticos para carregar no aparelho — custará US$ 20. Até agora, o sistema contempla apenas 32 aromas únicos, que podem ser combinados pelo usuários para gerar até 300 mil permutações.
O pacote à venda se chama oPhone DUO, sendo constituído de dois oPhones e uma “docking station”, contendo oito oChips, cada um com quatro aromas. E quem comprar o conjunto até 19 de junho ao meio-dia (hora de Paris) ganhará um estojo adicional de oChips. O frete é grátis.
Aliás, quem estiver em Paris nesta data e tiver participado da campanha, poderá ir à grande festa de lançamento no Le Laboratoire, a partir das 19h no horário local.
Durante a fase inicial, mensagens aromáticas poderão ser trocadas apenas entre as cidades de Paris, Nova York e Cambridge (em Massachusetts). Mas a empresa declara que, mais adiante, “usuários poderão enviar e receber oNotes em qualquer lugar com seus oPhones pessoais”.
O site oficial <http://onotes.com> mostra uma equipe que mistura americanos e franceses, citando também os designers Baptiste Viala, Laurent Milon e Robin Barata, além de uma especialista com excelente olfato, Marlene Staiger, a chefe de produção Manuella Passard, a equipe de negócios Blake Armstrong e Antoine Mahy, e o time de apoio no Laboratoire Paris.
Quando se fala em mensagens com cheiro, o usuário gaiato logo pensa em enviar SMS com odores reprováveis. Mas os espíritos-de-porco terão que aguardar um pouco mais para dar vazão a seus instintos piadistas:
“Por enquanto, o app oSnap enfatiza aventuras gastronômicas: comidas e café. Mas, mais adiante, nosso vocabulário de aromas se expandirá e, após um ano de nosso lançamento, por meio do app oNotes e do site, diversas criativas opções estarão disponíveis. O oNotes (site e app) abrangerá oMedia — oBooks, oFilms e oSongs — e também bibliotecas pessoais de oNotes, uma plataforma a partir da qual se poderá associar mensagens aromáticas a virtualmente qualquer comunicação eletrônica, de forma simples, alegre e emocional”.
Apesar da restrição geográfica temporária, o aplicativo oSnap <http://goo.gl/Pc6Fs7> já pode ser encontrado gratuitamente na App Store brasileira. Mas já se vê reclamações de alguns usuários comentando que o app exige login via Facebook, o que desagrada alguns.
Na App Store americana, um usuário apelidado Xsi declarou que não quer se logar via Face: “Eu não tenho conta no Facebook. E nunca vou querer ter uma. Se isso ainda for uma exigência quando eu receber meu aparelho em 2015, vou devolvê-lo”. Laura Best, outra pessoa que baixou o app, também não gostou: “E não tenho Facebook. Você não pode fazer login sem ele. Péssimo”.
Um longo caminho
O anúncio da “novidade” foi acompanhado do lançamento de uma campanha de patrocínio na Indiegogo com a meta de levantar US$ 150 mil para viabilizar a entrada do oPhone no mercado. Há pelo menos dez anos já existem protótipos de experimentos semelhantes, mas só agora chegou-se a um aparelho compacto, a preço acessível e com design refinado.
Dentre projetos semelhantes anteriores, destacam-se iSmell, Odorama e Smell-O-Vision, mas nenhum teve sucesso. Afinal, lidar com aromas é uma tarefa complexa: “Cheiros se fixam e se difundem, grudam na sua roupa, e demoram para se dissipar” — explica o site oficial.
“Se você compartilhar o cheiro de uma laranja descascada há pouco, é muito difícil compartilhar logo em seguida o aroma de um café expresso, e depois o de um bolo bem molhadinho de chocolate. O que você terá será uma nuvem da mistura de cheiros laranja, café e chocolate”, explica Edwards.
Com o oPhone o processo se torna mais viável, pois o aparelho exala apenas pequenas quantidades do odor, em sequências rápidas.
“O sistema permite construir ‘palavras aromáticas’, de modo que você poderá quase contar histórias, encadeando essas ‘palavras’”, conclui.
O Globo
Fonte: Blog do BG
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