16 de nov. de 2018 - Por rodrigomatoso
Foto: Divulgação/BIPM
Em votação unânime na manhã desta sexta-feira na França, representantes de 60 países, inclusive o Brasil, reunidos na 26ª Conferência Geral de Pesos e Medidas (CGPM), aprovaram alterações no padrão do quilograma e outras unidades básicas do Sistema Internacional (SI). Com isso, agora todas – que incluem além do quilo, unidade de massa, o segundo, como unidade de tempo; o metro para distâncias; o ampere para corrente elétrica; kelvin para temperatura; candela para intensidade luminosa; e mol para quantidade de algo – estão relacionadas a fenômenos ou constantes físicas universais.
– A redefinição do SI é um momento marcante do progresso científico – disse Martin Milton, diretor do Escritório Internacional de Pesos e Medidas (BIPM, na sigla em francês), “guardião” destes padrões. – O uso de constantes fundamentais que observamos na natureza como bases para importantes conceitos como massa e tempo significa que temos uma fundação estável a partir da qual avançar nossa compreensão científica, desenvolvendo novas tecnologias para lidar com alguns dos maiores desafios de nossa sociedade.
Primeiro a ser relacionado a um fenômeno físico imutável, desde 1967 o segundo é definido como a duração de 9.192.631.770 de transições de estado de átomos de césio 133, que ocorrem a uma frequência fixa de exatos 9.192.631.770 hertz (vezes por segundo). Já em 1983 foi a vez do metro, que passou a ser definido como a distância percorrida pela luz no vácuo em 1/299.792.458 segundo, enquanto graças a desenvolvimentos na radiometria e fotometria a candela também já estava relacionada a propriedades quânticas universais dos processos de transferência de energia governados pela Constante de Planck.
Agora, chegou a vez do quilo, ampere, kelvin e mol também serem associados a contantes. No caso do quilo – cujo chamado “protótipo” físico fabricado em 1889 e guardado em um cofre do BIPM, apelidado “Le Grand K” (“O Grande K”) estava se deteriorando e ficando “mais leve” -, entra também a Constante de Planck, que como produto de energia e tempo pode ser transformada em referência de massa por meio da célebre equação E = mc² descrita por Albert Einstein em sua Teoria da Relatividade, há mais de cem anos.
Já o mol, antes definido como a quantidade de algo num sistema em número igual aos de átomos contidos em 0,012 quilo de carbono 12, passou a ser totalmente independente do padrão de massa, respondendo diretamente à Constante de Avogrado.
O kelvin, por sua vez, deixou de estar atrelado às propriedades da água sob condições específicas, o que aumenta as incertezas nas medições em casos de temperaturas muito altas ou muito baixas, para ser ligado à Constante de Boltzmann, que relaciona a energia cinética de uma partícula em um gás à sua temperatura.
Por fim, o ampere saiu de uma definição pouco prática, envolvendo condutores hipotéticos de comprimento infinito e a força magnética entre eles, para ser expresso em termos da carga elétrica elementar dos elétrons.
O Globo
Fonte: Blog do BG
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