21 de nov. de 2014 - Por bruno

Foto: Divulgação
O empresário Sérgio Cunha Mendes, vice-presidente da Mendes Júnior e o diretor de Operações de Óleo e Gás da empresa, Rogério Cunha de Oliveira, afirmaram em depoimento à Polícia Federal que a companhia foi chantageada, pelo ex-diretor de refino e abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa para manter contratos da empresa com a Petrobras. Os executivos também disseram que tinham receio de não receber pagamentos da Petrobras da ordem de R$ 300 milhões, caso não pagassem propina a Costa.
Além disso, no depoimento, os executivos revelaram que era Paulo Roberto Costa o responsável por convidar as empresas participantes dos procedimentos licitatórios na área de refino e abastecimento. Outra revelação é que Sérgio Cunha Mendes foi apresentado à Youssef por José Janene, ex-líder do PP e ex-réu do mensalão, morto em 2010. Os depoimentos foram prestados na segunda-feira, na sede da PF em Curitiba (PR).
Segundo Sérgio Mendes, Paulo Roberto Costa exigiu o pagamento de R$ 8,028 milhões para que a empresa mantivesse seus contratos pelas obras da Refinaria Presidente Vargas, em Araucária, no Paraná. Esses pagamentos, conforme Mendes, foram pedidos por Youssef, tido como emissário de Paulo Roberto Costa.
O empresário admitiu que esses pagamentos foram realizados às empresas GFD Investimentos e Empreiteira Rigidez, controladas por Alberto Youssef. Os pagamentos foram realizados entre julho de 2011 e maio de 2012. “Não houve efetiva prestação dos serviços do objeto de contrato, de maneira que se tratam de contratos simulados tão somente para fazer frente, no caixa da Mendes Júnior, dos pagamentos de vantagem indevida exigidos por Alberto Youssef”, aponta o empresário no depoimento prestado na segunda-feira.
“Alberto Youssef, agindo em nome de Paulo Roberto Costa, exigia que a Mendes Júnior efetivasse o pagamento de vantagem indevida para que a empresa continuasse a desenvolver os projetos já em andamento e a ser convidada para processos licitatórios futuros”, disse Mendes. “A Mendes Júnior concordou fazer os pagamentos, pois, caso não os fizesse, o diretor de abastecimento Paulo Roberto Costa poderia, de faot, prejudicar os pagamentos direcionados à Mendes Júnior por contratos em execução e excluí-la de outros convites”, afirmou o executivo.
Na época, conforme Rogério Cunha, a Mendes Júnior tinha entre R$ 250 milhões e R$ 300 milhões por receber. Nesta sexta-feira, o iG revelou que 40 obras da Petrobras foram realizadas por meio de dispensa de licitação. A Mendes Júnior, por exemplo, firmou cinco grandes contratos com a Petrobras entre 2005 e 2014. Três deles ocorreram por meio de dispensa de licitação e dois deles por carta convite.
Cunha também revelou que a listas de empresas participantes dos contratos da Petrobras eram selecionadas por diretores como Paulo Roberto Costa. “Diante disso, a Mendes Júnior teve que ceder ao pedido de pagamento de propina, posto que poderia não ser mais convidada para a realização das obras da Petrobras”, disse Cunha.
IG
Fonte: Blog do BG
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