06 de jan. de 2015 - Por bruno

Foto: Divulgação
Por Interino
Trabalhadores da fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo (SP) decidiram entrar em greve por tempo indeterminado na manhã desta terça-feira, após a montadora demitir 800 funcionários. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a greve foi aprovada em assembleia, que contou com cerca de 7 mil trabalhadores, quase a totalidade dos funcionários do turno da manhã.
De acordo com a Volkswagen, o desligamento dos trabalhadores tem como objetivo o estabelecimento de “condições para um futuro sólido e sustentável para a Unidade Anchieta, tendo como base o cenário de mercado e os desafios de competitividade”.
O sindicato confirma que estava em negociação com a empresa desde julho, mas que rejeitou a proposta feita pela montadora e optou por manter o acordo trabalhista de 2012 que tem validade até 2016. Após a aprovação da greve, nesta manhã, ainda não foi realizada nenhuma reunião com a diretoria da Volkswagen.
A fábrica Anchieta, como é conhecida a mais antiga unidade da Volkswagen no Brasil, emprega cerca de 13 mil trabalhadores. Segundo a companhia informou em nota, as demissões ocorrerão após um período de licença remunerada de 30 dias. A empresa alega ainda que, em razão do cenário complexo do setor automotivo, diversas medidas de flexibilização da produção foram aplicadas desde 2013, como, por exemplo férias coletivas, suspensão temporária dos contratos de trabalho (lay-off), entre outras. No entanto, todos os esforços foram insuficientes.
Mercedes – O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC também informou que 244 funcionários foram demitidos na Mercedes-Benz. Eles faziam parte de um grupo de pouco mais de 1,1 mil trabalhadores que estavam em lay-off desde o ano passado, mas não tiveram essa condição prorrogada, como aconteceu com o restante. Segundo o sindicato, a companhia alega baixo desempenho de alguns desses demitidos. Além disso, uma parte pequena teria aderido a um Programa de Demissão Voluntária (PDV).
Crise – O setor automotivo, importante fonte empregadora no país, foi beneficiado por reduções tributárias após a crise global de 2008, o que ajudou a manter as vendas de veículos no país em alta até 2012, quando o governo federal estendeu benefícios do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido desde que as montadoras não demitissem. Em 2013 e 2014, porém, as vendas de veículos no país amargaram queda e a expectativa é de nova redução neste ano.
Segundo dados de dezembro de 2014 divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), de janeiro a novembro de 2014 as montadoras eliminaram 10,8 mil postos de trabalho e empregavam, até aquela data, 146,2 mil pessoas.
(Com Estadão Conteúdo e Reuters)
Fonte: Blog do BG
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