04 de jul. de 2026 - Por Rodrigo Freire
Os candidatos apoiados pelos governos venceram apenas três das últimas 20 eleições presidenciais realizadas em países da América do Sul, segundo levantamento do g1.
Desde 2018, apenas Paraguai e Equador registraram vitórias governistas, sendo que o Paraguai foi o único país a repetir o feito, com duas vitórias consecutivas do Partido Colorado.
Eleições mais recentes
As eleições mais recentes, realizadas na Colômbia e no Peru, terminaram com a vitória de candidatos da oposição. Em diversos países, os governos chegaram ao fim do mandato com baixa popularidade ou envolvidos em escândalos, e, em alguns casos, sequer lançaram candidatos.
O levantamento destaca que a derrota de governistas nem sempre representa uma alternância entre esquerda e direita, já que as mudanças de poder ocorreram em diferentes espectros políticos.
Venezuela fora
A pesquisa considerou apenas os países independentes da América do Sul que realizaram eleições reconhecidas pela comunidade internacional. A Venezuela ficou de fora por não ter eleições consideradas livres e justas.
Veja o desempenho do governismo do continente nas últimas eleições:
Horacio Cartes entregou o poder a Mario Abdo Benítez, ambos do Partido Colorado, de direita.
Juan Manuel Santos (considerado centrista) entregou o poder para Iván Duque, do Centro Democrático (direita). Duque se opôs ao acordo de paz que Santos costurou com os guerrilheiros das Farc e se aliou a Álvaro Uribe, com quem Santos havia rompido anos antes.
Michel Temer (MDB) passou a faixa para Bolsonaro (então no PSL). O candidato do MDB, Henrique Meirelles, teve apenas 1,20% dos votos válidos no primeiro turno, e o partido liberou seus filiados para apoiar quem quisessem no segundo turno.
Mauricio Macri, liberal não peronista, perdeu a reeleição para Alberto Fernández, peronista de esquerda, apoiado por Cristina Kirchner.
Tabaré Vázquez, de esquerda, perdeu para Luis Lacalle Pou, da direita liberal.
Jeanine Áñez, de direita, era presidente interina e cumpria mandato-tampão após queda de Evo Morales. Ela passou a faixa para Luis Arce, então aliado de Morales.
O então presidente Lenín Moreno havia se distanciado da esquerda “correísta” de seu antigo aliado, Rafael Correa e se tornado um político de centro-direita durante seu mandato. Impopular, Moreno não teve representante governista nas eleições. Guillermo Lasso venceu o correísmo “raiz” de seu rival, Andrés Arauz.
Francisco Sagasti, escolhido presidente pelo Congresso porque o cargo estava vago após anos de instabilidade política, era do Partido Morado, de centro. Foi sucedido por Pedro Castillo, representante da esquerda conservadora.
Gabriel Boric, de esquerda, foi eleito sucessor de Sebastián Piñera, direitista.
Iván Duque, de direita, foi sucedido pelo esquerdista Gustavo Petro, que já havia sido seu rival na eleição anterior.
Jair Bolsonaro (PL) tentou a reeleição, mas perdeu para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em votação apertada.
Mario Abdo Benítez passou a faixa para Santiago Peña, ambos do Partido Colorado, de direita.
Guillermo Lasso convocou eleições antecipadas após perda de apoio por escândalos de sua administração. Ele não apoiou nenhum candidato e seu partido tampouco apresentou uma candidatura. O vencedor do pleito, Daniel Noboa, é do mesmo espectro político.
O kirchnerismo (peronismo de esquerda), no poder com Alberto Fernández, lança Sergio Massa como candidato, mas ele perde para Javier Milei, de direita.
Yamandú Orsi, da esquerda, vence o candidato da direita e apoiado por Lacalle Pou, Álvaro Delgado.
Luis Arce perde as eleições para Rodrigo Paz, de direita, e encerra um ciclo de 20 anos de vitórias eleitorais da esquerda no país.
Daniel Noboa obtém a reeleição, desta vez para um mandato completo.
Gabriel Boric não consegue eleger sua correligionária Jeannette Jara, e José Antonio Kast, que havia perdido a disputa anterior, leva a direita novamente ao Palacio de la Moneda.
Em mais um período de extrema instabilidade política, Keiko Fujimori é eleita para suceder a José Maria Balcázar, congressista escolhido para preencher um mandato-tampão.
Gustavo Petro apoia Iván Cepeda nas eleições, mas ele perde o segundo turno para Abelardo de la Espriella, candidato à direita do espectro político.
Com informações de g1
Fonte: Blog do BG
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