08 de fev. de 2018 - Por Rodrigo Matoso
O “jogador” Denis Vieri, de 34 anos, sumiu do Força e Luz e do mapa. Após reportagem publicada pelo GloboEsporte.com que mostrava que ele não tinha registros em nenhuma das equipes que alegou ter jogado – como Santos, Vasco e Shakhtar Donetsk (Ucrânia) -, o Time Elétrico o dispensou. O problema é que ele desapareceu e deixou os quatro atletas que “agenciava” na equipe de Natal. Vítimas da história criada pelo falsário, Melquisedeque Carlos, Hélio Ciro e Wesley Henrique, que são de Minas Gerais, e Jefferson Lima, de São Paulo, não têm dinheiro para retornar para suas cidades.
Depois de ser dispensado do Time Elétrico, Denis Vieri deixou o alojamento para sacar dinheiro que seria supostamente usado para comprar as passagens dele e dos outros quatro atletas de volta para Belo Horizonte. Um deles, o meia Jefferson Lima, o acompanhou para garantir que ele estaria por perto. Quando foi a uma padaria ao lado do caixa, Denis sumiu com a mala que estava e não apareceu mais.
Jogadores do Força e Luz foram até a rodoviária ao encontro de Denis Vieri, que sumiu (Foto: Leonardo Erys/GloboEsporte.com)
Na sequência, pediu para que os atletas o encontrassem na Rodoviária de Natal, onde ele não estava. A partir deste momento, Denis passou a bloqueá-los no WhatsApp e não atender as ligações. A nova recomendação era de que fossem ao Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, mas os jogadores não seguiram.
– O cara fez uma “cachorrada” dessa. Fez a gente vir para a rodoviária e não está aqui. Sumiu, bloqueou a gente em tudo que é rede social. E sumiu. Nós estamos à deriva, só com o apoio do Força e Luz – disse Jefferson Lima ao GloboEsporte.com.
Além de bloquear os jogadores nas suas redes sociais, Denis Vieri mudou pelo menos três vezes o nome do seu perfil no Instagram (de @dennisvieri7 mudou para @vierioficial, e depois para @dnis832). Além disso, apagou as fotos que tinha publicado na terça-feira na entrevista dada ao Globo Esporte RN e GloboEsporte.com e publicou uma na praia de Genipabu com os jogadores.
Denis Vieri e os quatro jogadores vítimas do golpe foram à praia antes da exposição do caso do falsário (Foto: Reprodução)
Os quatro jogadores enganados garantiram que farão um Boletim de Ocorrência contra Denis Vieri e vão processá-lo na Justiça. Eles contaram que souberam da farsa do empresário na manhã desta quarta-feira e foram conversar com dirigentes do clube para explicar que não sabiam das intenções de Vieri e de que também eram vítimas na história.
– Nós falamos com todos os atletas que não sabíamos disso. Fomos logo na sede do clube conversar com o próprio diretor e tirar satisfação de toda essa história, porque realmente a gente não tem nada a ver com isso. E por isso que a gente está aqui hoje afirmando que a gente não tem nada com isso. Ele fez essa sacanagem com a gente. Nós estamos aqui como vítimas – disse o atacante Wesley Henrique, o Riquinho, de 25 anos.
O Força e Luz não dispensou os atletas, apenas Denis Vieri. Enquanto os jogadores não conseguem retornar às suas cidades, o clube ofereceu moradia e alimentação para eles em Natal.
O golpe
Ao trazer os atletas para o Força e Luz, Denis Vieri prometeu um salário entre R$ 2 mil a R$ 3 mil a todos eles. Ao clube, no entanto, a história era outra: ele afirmava que ele e os outros quatro atletas chegavam sem custos. O Time Elétrico só daria moradia (no alojamento do clube) e alimentação.
Assim, o início da história se costurou. Após o acerto com o Força e Luz, Denis Vieri pediu para três dos quatro jogadores depositarem R$ 1.459 para a compra das passagens aéreas de cada um. O quarto integrante do grupo, Hélio Ciro, precisaria pagar R$ 2.459 pela passagem, mas fez a transferência de R$ 1.300. Após a chegada a Natal, foi cobrado por Denis, via WhatsApp, por sua “dívida” de R$ 1.200. O falsário teria comprado apenas as passagens de ida e embolsou o restante do dinheiro transferido pelos atletas.
Print de conversa em que Denis Vieri cobra um dos jogadores o restante do pagamento (Foto: Reprodução)
Ao presidente do clube, Ranilson Cristino, Denis Vieri dizia que os jogadores ficariam no clube em fase de testes. Para os agenciados, no entanto, a história era outra e ele dizia que os atletas seriam remunerados e que o time poderia alavancar a carreira deles.
A ideia do golpe de Denis Vieri era bem clara. Em algum momento, os jogadores cobrariam os salários que o clube, na teoria, não teria a obrigação de pagar. Por isso, a intenção de Vieri era convencer os dirigentes do Força e Luz a dizerem aos seus agenciados que eles não passariam nos testes do clube e estavam dispensados. Ele chegou a fazer isso, mas os jogadores foram avisados da trama.
Ele conseguia convencer os atletas a se agenciarem com ele ao contar a história mentirosa de que era ex-jogador de grandes clubes, como Vasco, Santos, PSV (Holanda) e Shakhtar (Ucrânia), em um currículo fantasioso e falso.
Prejuízo
Melquisedeque Carlos Felix (20 anos), Hélio Ciro (18), Wesley Henrique (25) e Jefferson Lima (25) sonham em ser jogadores de futebol para mudar de vida. Eles fazem parte – alguns há quatro meses, outros há menos de um – de um time montado por Denis Vieri em Minas Gerais. A promessa era de que esse time disputaria a terceira divisão do Campeonato Mineiro deste ano pela primeira vez.
Ao fazer o acordo com o Força e Luz, os jogadores viram o primeiro passo dessa projeção finalmente acontecer, já que receberiam salários entre R$ 2 mil e R$ 3 mil e teriam a possibilidade de atuar num estadual. Eles foram avisados pelo “empresário” e precisaram dar a resposta do dia para a noite, inclusive com o investimento para a compra das passagens.
Leia matéria completa do Globo Esporte RN aqui
Fonte: Blog do BG
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