02 de ago. de 2026 - Por Rafael Araújo
Foto: Ricardo Stuckert
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se aproxima do fim deste terceiro mandato distante de uma das prioridades do seu governo: a integração sul-americana. Embora tenha priorizado a retomada do protagonismo regional, a estratégia esbarrou em divergências ideológicas, crises diplomáticas e mudanças no cenário político do continente, o que dificultou também seu papel de liderança na região — apesar da manutenção das relações institucionais com países governados pela direta.
A busca pela integração regional acompanhou Lula ao longo de seus governos e neste mandato não foi diferente. Logo nos primeiros meses do governo Lula 3, o petista reuniu os chefes de Estado da América do Sul em Brasília com o objetivo de retomar o diálogo político e fortalecer os mecanismos de cooperação regional, abandonado nos anos anteriores.
O encontro resultou no chamado Consenso de Brasília, que reafirmou o compromisso dos países sul-americanos de intensificar o diálogo pela construção de uma agenda comum em áreas estratégicas para a região.
A iniciativa chancelou a tentativa de Lula de recolocar a integração sul-americana no centro da política regional, resgatando o protagonismo do Brasil – e o seu próprio – na articulação entre os países do continente.
Esses objetivos, contudo, esbarram com uma mudança política na região que foi alavancada por Javier Milei, presidente eleito na Argentina em 2023. Desde então, os dois países não apenas antagonizam politicamente, como disputam o protagonismo pela liderança regional.
Para Artur Ratc, doutor em Ciências Jurídicas e Sociais, a crise diplomática entre Brasil e Argentina, provocada por trocas de farpas entre Lula e Milei, são reflexos de como funciona a geopolítica.
Atualmente, sete dos doze países da América do Sul são comandados por líderes ligados a direita, centro-direito ou extrema-direita.
De um lado, Argentina, Bolívia, Chila, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru encontram-se sob o domínio de governos a direita. Já o grupo de países controlados pela esquerda é composto por Brasil, Uruguai, Venezuela, Guiana e Suriname.
O tabuleiro político na região mudou nos últimos meses, após as vitórias de Keiko Fujimori e Abelardo de la Espriella.
Herdeira política do ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko derrotou o candidato da esquerda nas eleições do Peru, Roberto Sánchez, em um pleito marcado pela longa apuração de votos.
Metrópoles
Fonte: Blog do BG
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