24 de dez. de 2018 - Por bruno

Foto: Divulgação
Este foi o ano em que as grandes empresas de tecnologia tiveram de aprender a engolir críticas, e viram suas reputações maculadas e os preços de suas ações derrubados por um maremoto de indignação política, causado pelo envolvimento delas em desinformação, censura e abusos de dados de usuários.
O açoitamento em praça pública pode ser necessário e até gratificante —mas é possível que vá longe demais.
As críticas vão se tornar cada vez mais partidárias —os republicanos se irritarão com o suposto viés progressista do Google e os democratas ficarão furiosos com o Facebook por cumplicidade na manipulação de eleições. Com isso, cresce o risco de intervenções que não resolverão o problema subjacente nesse campo: a falta de competição.
Considerem as mais recentes revelações sobre a difusão de conteúdo manipulatório por agentes russos, que usaram Facebook, Twitter e Google. A interferência política é uma questão séria de política externa, mas os protestos parecem desproporcionais.
O conteúdo vinculado à Rússia é minúsculo se comparado ao conteúdo total da mídia social, e empalidece ante a cobertura da mídia tradicional, e a propaganda política que a acompanha.
O Twitter estima que esse tipo de conteúdo tenha respondido por apenas 0,5% das impressões totais de tuítes relacionados à eleição de 2016.
É improvável que isso tenha mudado quaisquer votos, dada a tendência humana de usar a internet para confirmar vieses. “Sempre houve desinformação e trapaça na política. E sempre haverá”, disse Brendan Nyhan, professor na Universidade do Michigan e um dos coautores do estudo.
Que fiscais sancionados pelo governo decidam que conteúdo será removido cheira a censura. Mesmo censores autoindicados, como a “Suprema Corte” proposta por Mark Zuckerberg para decidir casos sobre retórica do ódio no Facebook, sucumbiriam a vieses políticos, por mais bem intencionados que sejam.
Os argumentos em favor de regulamentação das normas de privacidade são um tanto mais fortes. Existe um conflito evidente entre a privacidade do consumidor e os modelos de negócios de empresas como Google, Facebook, Twitter e, cada vez mais, a Amazon, que reúnem o máximo possível de informações e em seguida as monetizam.
Em coluna recente, Alec Stapp, do Niskanen Center, uma organização libertária de pesquisa, apontou que cerca de dois terços dos americanos não ligam muito para a privacidade. O risco é que uma reação motivada pela busca de proteção ao terço restante resulte em privações de serviços valiosos.
Folhapress
Fonte: Blog do BG
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