13 de mai. de 2011 - Por bruno
Artigo de Rubens Lemos Filho no Jornal de Hejo de quinta 12/05
Quando presidiu o ABC Futebol Clube, Judas Tadeu Gurgel era metralhado pela imprensa e por alguns escribas (eu era do time), pelo seu estilo explosivo e centralizador. Judas Tadeu agia como torcedor, brigava com desafetos pelo rádio, especialmente após as vitórias e não permitia o debate salutar e fundamental na democracia de um clube dito do povo.
O queixume dos opositores de Judas Tadeu Gurgel transformou-se num discurso que tomou forma e outro mote demolidor: A incapacidade administrativa de fazer o ABC gerar lucro e passar a ser mais do que um time de futebol. A força da retórica ganhava as cadeiras cativas do Frasqueirão construído por Judas e, com sutileza própria dos ardis, invadia as redes sociais e as análises imparciais (creio) nas emissoras de rádio e nos jornais.
É notório que Judas Tadeu cavou a sua própria sepultura ao pilotar uma infeliz campanha no Brasileiro da Segunda Divisão de 2009, quando foram contratados diversos cabeças de bagre e o rebaixamento à Série C apagou todos os feitos de um homem com virtudes e defeitos típicos de um arquibaldo comum.
A diferença de Judas Tadeu Gurgel para os seus sucessores está na sua origem que permanece intocada mesmo bem sucedida sua carreira profissional. Judas veste-se com simplicidade, fala o que lhe der na telha em sotaque de Janduís, terra onde nasceu e tem seguidores xiitas, que não raro partem aos adjetivos para desqualificar quem pensa contra o ex-presidente. A vantagem de Judas sobre os seus sucessores é a franqueza. Ele não age de maneira soturna. Bate de frente.
O tempo é o melhor remédio para o fim de qualquer diferença. Agora, forma-se sobre a atual diretoria do ABC um manto, mais sofisticado, claro, de proteção e reação. Tudo está certo, perfeito e quem discorda não passa de um inimigo recalcado.
São as mesmas vozes que cochichavam contra Judas Tadeu Gurgel e hoje agem nos silêncios modernos da internet ou na boa-fé “iludida” de grande parte da mídia, a proclamar o discurso do quem disso cuida, disso usa. A tese de que um clube deve ser gerido como uma empresa é pregada como discurso castristafechado. Ao paredão, os contrários.
O primeiro a abrir a temporada dos fuzilados foi o empresário Bruno Giovanni Oliveira, ex-diretor do ABC e hoje afastado da atual diretoria. O jornalista Edmo Sinedino já foi alvejado há muito tempo. No seu blog do BG: www.blogdobg.com.br, BG postou ontem comentário duro sobre o preço cobrado pela camisa oficial do ABC, 139 reais e 90 centavos para não se arredondar nos 140, igualzinho ao tempo em que velhinhas compravam bordados na Avenida Rio Branco a 99 centavos e achavam que menos de um cruzeiro era um país em desenvolvimento.
Se Bruno Giovanni está certo ou errado, cabe a cada um analisar. O que não se pode ou não se deve, é tentar tolher seu direito de opinar, o que está sendo (mal) feito em comentários formulados em tom de cobrança pelo fato de o blogueiro já ter ocupado função na diretoria. Se dois contatos pessoais tive com Bruno Giovanni foram muitos. Não tenho amizade nem inimizade com ele. Conheço bem o seu pai, o vereador Assis Oliveira, homem decente.
O que Bruno Giovanni escreveu e irritou o Politburo da Rota do Sol toca fundo no que há muito sentem chão e coração do Estádio Maria Lamas Farache. Estão querendo mexer na cultura popular que se chama ABC Futebol Clube, tornando-o uma Zezé Macedo siliconada e passada como uma Bruna Lombardi no auge. Pobre está sendo convidado, nem tão gentilmente assim, a ser torcedor de pé de rádio. O que se pregava era a gestão empresarial custeada pelos patrocinadores, que são muitos, e não a sangria do bolso do torcedor.
É o óbvio que cego teleguiado não quer ver nem reclamar, embalado pelos resultados competentes dentro de campo. Cobrar R$ 139,90 por uma camisa de um time de Natal, além de acinte à condição social da maioria das pessoas, é confundir marquetingue (em português para agradar Ariano Suassuna) com megalomania. Necessidade com sabedoria.
Quem acha barato, compre 10. 100. 1000. Ganhei uma de presente do diretor Flávio Anselmo (que sabe que minha opinião é cristalina e não muda) e se não fosse uma grosseria com ele, que também não é homem de jogar punhal, botaria numa moldura para leiloar na Christie ‘s, em Nova York. Flávio Anselmo me perguntou, antes, se eu aceitaria uma camisa do Vasco e para minha surpresa, veio junto o modelo novo do alvinegro.
Fazer a apresentação da camisa no Teatro Riachuelo não merece qualquer comentário tamanho o sucupirismo, tão grande a soberba. Estranha apenas a ausência do humorista Zé Lezim, para coroar o quesito originalidade. O povão juntando Timemania para entrar é surrealismo em tinta guaxe. Trezentos felizardos sem anel de doutor.
É a síntese do mercantilismo de republiqueta. Você contempla o que não pode ter. Que a intolerância deixe a opinião livre, minoritária, quem sabe, achar que o ABC caminha para deixar de ser o Campeão das Multidões e vestir a faixa de ABC Futebol Cofre, o Campeão dos Cifrões.
Fonte: Blog do BG
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