17 de mai. de 2020 - Por bruno

Foto: Divulgação
Ainda que o Nordeste não seja o epicentro do novo coronavírus no Brasil, alguns estados da região têm determinado o lockdown, que é o bloqueio total das atividades, como estratégia de combate ao avanço da pandemia. Confesso que estou bem preocupada com essa perspectiva no Rio Grande do Norte, pois a decisão seria unicamente de natureza política, já que nossos números não justificam a medida extrema.
Ao meu ver, optar por esse recurso, nesse momento, só serve para disfarçar a incapacidade da gestão pública do Estado em abrir leitos e UTIs. Segundo boletins oficiais divulgados pela saúde estadual, nos últimos dias, já temos 100% dos leitos ocupados. Na prática, sabemos que a dificuldade de encontrar leitos vagos é bem anterior à pandemia. Quem não lembra de manchetes recorrentes relatando macas presas no Walfredo ou pacientes no corredor?
Com índices crescentes da pandemia no RN, o que tem sido feito para abertura de novos leitos? Por que ao invés de se falar somente em isolamento, não se trabalha efetivamente e com agilidade para a ampliação dos serviços de saúde? Por que não se investe em testagens em massa para que assim possamos manter em distanciamento social e isolamento apenas as pessoas do grupo de risco? Por que não se reforçam campanhas para o uso de máscaras e a higienização das mãos? Por que não se fala em tratamento precoce da doença com uso de medicamentos?
Ou seria mais simples, na falta de ações concretas, mesmo com recursos federais destinados ao combate à pandemia, deixar o pânico se instalar e assim forçar um lockdown?
Não existe um estudo sequer que analise o tema e aponte que o lockdown funcione efetivamente. A própria OMS reconhece em seus documentos que essas evidências são muito frágeis.
Se examinarmos a situação nos diversos países que adotaram a medida, é possível observar que, considerando os prazos normalmente estipulados pelos defensores do isolamento social, com base no tempo de incubação e diagnóstico da doença, não se pode, de forma geral, estabelecer relação de causa e efeito entre o lockdown e a queda da curva epidêmica.
Um dado apresentado pelo Governador de Nova York, Andrew Cuomo, vai na contramão das práticas adotadas por alguns governantes do Nordeste: cerca de 66% das pessoas que foram infectadas pela doença na cidade, nos últimos dias, estavam dentro de suas casas.
Ou seja, não há como determinar que fechar tudo dará certo por aqui. Enquanto isso, a economia já sofre o efeito devastador da recessão. Temos certeza que restrições maiores provocariam maiores danos à combalida economia e o aumento da pobreza.
Num contexto onde tudo é novo e incerto, e pensando que o vírus veio para ficar e deve ter diversas ondas pelo mundo, o ideal é que gestores políticos atuem com responsabilidade, muita cautela, sem radicalismos, e que se analise caso a caso os custos e benefícios de cada medida. E mais importante do que cercear as liberdades individuais, invistam na saúde e em estratégias eficazes para o combate da pandemia.
Tatiana Mendes Cunha
Advogada
Fonte: Blog do BG
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