20 de fev. de 2013 - Por bruno

Foto: Divulgação
Por Tribuna do Norte
A recuperação do calçadão de Ponta Negra continua sem previsão de início. Com as obras embargadas pelo Ministério Público, que condiciona o início da intervenção no equipamento a garantia de realização do processo de engordamento da faixa de areia, e sem recursos em caixa para serem gastos no projeto, a prefeitura de Natal vive um dilema. Não existe previsão para resolução do imbróglio. Apenas expectativas sobre resultados de análises. Enquanto a situação não é resolvida, população e turistas correm riscos diariamente.
A situação se agravou ainda mais no último fim de semana, quando uma tubulação do sistema de esgoto que atende uma parcela dos hotéis localizados a beira-mar de Ponta Negra se rompeu. A estrutura, que estava exposta em função do desmoronamento do calçadão, não resistiu à combinação de mais uma maré alta e a força das águas das chuvas que caíram na cidade no início do fim de semana. Uma língua negra composta por milhares de litros de esgoto in natura que vêm sendo despejados ininterruptamente desde a ocorrência do sinistro se formou na areia da praia.
A Companhia de Águas e Esgotos do RN (Caern) espera concluir o reparo da estrutura ainda hoje. O coordenador do sistema de manutenção de esgotos da Caern, Terrance César, afirmou que a equipe iria trabalhar durante a noite de ontem. “Vamos arrumar aqui sem garantia de que não volte a quebrar”, frisou. A estrutura danificada é conhecida como poço de visita (PV) e são colocadas nos pontos onde existe interligação de trechos, mudança de diâmetro, nível ou direção e serve como ponto de acesso para realização de manutenção. O PV danificado recebe o esgoto da região que vai do quiosque de número 14 até o Hotel Rifoles. O conserto custará R$ 5 mil.
Enquanto a equipe formada por mais de 10 homens da Caern executava o serviço de recuperação, dezenas de pessoas se arriscavam entre as ruínas do calçadão e as águas sujas que cortavam a areia em direção ao mar. “É muito triste ver uma situação dessa em uma cidade que já foi tão bonita”, reclamava a turista carioca Heloísa Teixeira, que acompanhada do marido, Barbosa Teixeira, buscava uma alternativa para evitar pisar no rio de dejetos formado na areia da praia.
De acordo com o secretário de Defesa Civil do município, Osair Vasconcelos, todas as áreas do calçadão que ruíram foram isoladas no carnaval, totalizando 530 metros. “O problema é que a própria população destrói”, justifica. Sobre a área da praia, Vasconcelos afirmou que não há como sinalizar. “Não podemos fechar a praia”.
O projeto de recuperação do calçadão foi entregue ao Ministério da Integração Nacional na terça-feira de carnaval. De acordo com o secretário adjunto de Obras Públicas, Tomaz Neto, ele contempla os ajustes sugeridos pelo MP e equipe de professores da UFRN. “Foi enviado por e-mail para acelerar a análise e paralelamente via Sedex. Já recebi a afirmativa que está em análise”, disse.
Pelos cálculos da Semopi, serão necessários R$ 4,5 milhões para a recuperação do calçadão e mais R$ 3 milhões para o engordamento da praia. A expectativa é que essa verba seja disponibilizada pelo Governo Federal, em atendimento ao apelo feito após o decreto do estado de calamidade. Como o prazo previsto no decreto se expirou no mês de janeiro, a prefeitura estuda a possibilidade de renovar o decreto. “Mas a disponibilização dessa verba não depende do decreto. Como o Ministério vem acompanhando a situação esses recursos podem ser disponibilizados diante da comprovação de necessidade”, explicou Tomaz Neto.
Fonte: Blog do BG
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