10 de nov. de 2020 - Por bruno

Foto: Divulgação
A influência exercida pelo “guru” do bolsonarismo, Olavo de Carvalho, não é mais a mesma. O astrólogo da Virginia (EUA) comprou briga com governistas, perdeu espaço no Ministério da Educação, fez críticas ao presidente e, nos últimos meses, também passou a viver um ocaso financeiro. Ele é o principal alvo da nova etapa de campanha do Sleeping Giants, o movimento que pressiona empresas a retirarem recursos de páginas com conteúdos que classifica como de ódio e desinformação.
O grupo levou mais de 250 companhias a desassociarem suas marcas de conteúdos produzidos por Olavo. O controverso escritor, referência da extrema-direita brasileira, chegou a perder cerca de 30% dos alunos que pagavam para receber seus ensinamentos via PayPal, uma das companhias que o baniu. Uma chuva de queixas e problemas interditou o site do seu “seminário de filosofia”.
Agora, o Sleeping Giants direciona seus esforços para secar uma das principais fontes remanescentes de receita do escritor. O movimento orienta seus quase 400 mil seguidores os caminhos para que bombardeiem com reclamações caixas de mensagem de executivos da CPP Investments. A firma canadense é acionista da PagSeguro, empresa brasileira que não cedeu à pressão e mantém a conta pela qual Olavo arrecada com a venda de cursos. Até o início da semana passada, 10 mil pessoas haviam enviado mensagens, de acordo com o movimento.
A versão brasileira do Sleeping Giants se apresenta como um coletivo e não revela a identidade das pessoas que o conduzem. Em respostas a perguntas enviadas pelo Estadão, o grupo ressaltou, por escrito, que Olavo de Carvalho é, para eles, a figura que mais contribui para a radicalização da sociedade por conta do “conteúdo odioso” que propaga e do alcance que tem. “Estamos absolutamente convencidos de que a propaganda ‘olavista’ é parte fundamental desse processo de deterioração da democracia brasileira, pois efetivamente inflama a população, designa inimigos internos, dificulta o debate democrático, destrói a coesão social, adia a causa da paz e enfraquece valores civilizacionais sob os quais se assenta a frágil democracia brasileira”, disseram.
Olavo de Carvalho já usou seus canais e cursos para negar a existência do novo coronavírus, recomendar que as pessoas não deem vacinas aos filhos porque elas “matam ou endoidam”, atacar religiões, minimizar caso de estupro, defender prisão “sem direito de falar” para ministro da Suprema Corte brasileira e até recomendar que jornalistas sejam tratados “a ponta pé, como um cachorro”. “Esse pessoal que vem do Haiti e Senegal sabem o quê? Eles sabem o Alcorão, fumar maconha e vender crack”, disse o escritor em uma de suas aulas. “Eu acho que essas macumbas dão um azar desgraçado, porque onde tem isso todo mundo se ferra.”
Diante da ofensiva do Sleeping Giants, o escritor sentiu a pressão e pediu ajuda aos súditos. No fim de outubro, fez uma série de publicações com queixas contra as ações do site. Pediu para que seus alunos, leitores e amigos escrevam ao PayPal em protesto contra o bloqueio que lhe foi imposto e ao PagSeguro, com pedido para que a empresa não tome a mesma decisão.
Sobrou até para o chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência. “General Heleno, a sua querida Abin (Agência Brasileira de Inteligência) vai investigar as operações de boicote financeiro e intimidação realizadas por organizações comunoglobalistas contra aliados do governo? Vai nada. Vocês todos, somados, se cagam de medo até do Felipe Feto (referência pejorativa ao youtuber Felipe Neto)”, escreveu.
Fonte: Blog do BG
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