18 de fev. de 2017 - Por bruno
Por El País
Os movimentos de protesto popular que levaram milhões de pessoas às ruas contra Dilma e Lula, e a favor do juiz Sérgio Moro, convocaram uma nova manifestação para 26 de março. A finalidade, desta vez, seria defender a Lava Jato. Mas, e se o novo protesto tiver um efeito bumerangue?
Trata-se de um protesto que, sob a intenção de defender a luta contra a corrupção, além de outras demandas, poderia levar consigo o veneno da ambiguidade. A Lava Jato, que ameaça condenar meia classe política, é uma das bombas que ainda não sabemos aonde podem chegar. É tão importante que nem sequer os que mais têm medo dela se atrevem a combatê-la de forma aberta. Fazem isso só nas sombras.
O que aconteceria se, por algum motivo, desta vez a manifestação fracassasse? Se as pessoas ficassem em suas casas? De que forma os corruptos aproveitariam para tentar dar o golpe de misericórdia no trabalho da Justiça? Seria seu maior triunfo, já que hoje os políticos estão mais sensíveis do que nunca aos gritos da rua.
Nas últimas manifestações os alvos eram concretos. As pessoas, em meio à crise econômica que havia mergulhado o país na maior recessão da democracia, pediam a renúncia do Governo. Eram os protestos “Fora Dilma”, “Fora Lula” e “Fora PT”. Agora que Dilma foi embora, que o PT murchou e que Lula está enredado na Justiça, cinco vezes réu em outros tantos processos, um protesto a favor da Lava Jato e contra a corrupção parece abstrato demais para levar o Brasil de novo às ruas.
Alguém se manifesta hoje abertamente a favor dos corruptos? Sabe-se que metade da classe política pode ser alvo da Lava Jato e que há movimentos subterrâneos para aprovar leis que a detenham. Ninguém, contudo, atreve-se a expressar uma oposição frontal à investigação judicial. Talvez alguns se mostrem contra Moro, mas ninguém é capaz de se pronunciar a favor dos crimes de políticos.
Fonte: Blog do BG
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