06 de ago. de 2014 - Por bruno
Secretário-executivo da Secretaria de Relações Institucionais, Luiz Azevedo, teria ajudado a elaborar um roteiro para a investigação e sugestões de perguntas – Divulgação
A atuação da Petrobras e da liderança do PT no Senado durante a CPI que investiga a estatal foi coordenada por assessores do Palácio do Planalto, de acordo com reportagem publicada nesta quarta-feira pelo jornal “Folha de S.Paulo”. A tarefa teria ficado sob a responsabilidade do ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, Ricardo Berzoini, que cuida da articulação política do governo com o Congresso.
Segundo a reportagem, o secretário-executivo da Secretaria de Relações Institucionais, Luiz Azevedo, número 2 na hierarquia da pasta, teria ajudado a elaborar o plano de trabalho da CPI da Petrobras no Senado, com um roteiro para a investigação e sugestões de perguntas.
Azevedo teria ficado encarregado de blindar a presidente Dilma Rousseff, fazendo a interlocução do governo com a estatal, a fim de alinhar a atuação governista na CPI. O assessor especial da Secretaria de Relações Institucionais Paulo Argenta também teria sido escalado para a tarefa.
Como mostrou a revista “Veja” desta semana, dirigentes e ex-dirigentes da Petrobras receberam antecipadamente as perguntas que lhes seriam feitas por senadores durante depoimentos à CPI, em maio. As perguntas teriam vindo acompanhadas de respostas preparadas pela assessoria da estatal e chegado à presidente da Petrobras, Graça Foster, ao ex-presidente José Sérgio Gabrielli e ao ex-diretor da Área Internacional da empresa, Nestor Cerveró.
A estatal afirma que só tomou conhecimento das perguntas após a divulgação do plano de trabalho da CPI.
Ainda segundo a “Folha de S. Paulo”, o governo teria discutido com assessores do PT no Senado e o chefe do escritório da estatal em Brasília, José Eduardo Barrocas, a conveniência ou não da aprovação de requerimentos da CPI.
Procurada na manhã desta quarta-feira, a assessoria do Planalto orientou que qualquer questionamento sobre o caso fosse feito à Secretaria de Relações Institucionais.
A CPI do Senado, assim como uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito no Congresso, investiga a compra, pela Petrobras, de uma refinaria em Pasadena, nos Estados Unidos. O Tribunal de Contas da União (TCU) estima que o negócio tenha causado prejuízo de US$ 792 bilhões à estatal e Graça Foster poderá ter seus bens bloqueados pelo TCU a fim de ressarcir o prejuízo ao erário.
A Petrobras, contudo, deverá acionar um seguro para cobrir o valor a ser cobrado pelo TCU individualmente de 11 dirigentes e ex-dirigentes da estatal. É o que informa reportagem desta quarta-feira do jornal O Estado de S. Paulo. Segundo a reportagem, a empresa já teria avisado aos executivos que acionará um seguro para cobrir essas despesas, evitando que Gabrielli e Ceveró, entre outros, tenham que desembolsar recursos próprios. Segundo o jornal, a Petrobras justificou a medida como forma de “resguardar” os executivos.
O Globo
Fonte: Blog do BG
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