26 de jul. de 2020 - Por bruno

Foto: Divulgação
Com mais de 800 milhões de usuários ativos, o TikTok é o grande fenômeno emergente da internet. O número de adeptos leva o aplicativo chinês —com seus vídeos divertidos e bizarros, em que qualquer um pode ser a estrela— ao seleto time de gigantes, atrás do Instagram (mais de 1 bilhão) e Facebook (2,6 bilhões), os quais já ameaça.
A história do TikTok começou em Pequim, em 2012, quando o engenheiro de software chinês Zhang Yiming, da empresa ByteDance, à época com 29 anos, percebeu que era complicado encontrar uma informação na internet de seu país, não só pela censura do regime, mas também porque os meios de busca disponíveis, como o Baidu (o “Google chinês”), eram ruins. Mesmo o conteúdo liberado não circulava de forma eficiente.
O primeiro passo de Zhang foi adquirir uma plataforma agregadora de notícias, a Jinri Toutiao (manchetes de hoje), e depois desenvolver um algoritmo movido a inteligência artificial para recomendar conteúdo customizado aos usuários de acordo com seus interesses, mantendo também a busca por um termo específico, o que fazia do Toutiao um híbrido entre Google e Facebook. Foi um sucesso.
No mesmo ano, a ByteDance lançou o Neihan Duanzi, uma plataforma de piadas, vídeos engraçados e memes, cujo DNA também estava na recomendação por inteligência artificial. Foi outro êxito, que chegou a acumular 30 milhões de usuários ativos até ser banido pelo governo chinês em 2018, sob a alegação de divulgar conteúdo vulgar.
Zhang percebeu que muita gente gostava de passar o tempo se entretendo com conteúdos que iam do sensacionalismo à diversão pura. Em setembro de 2016, a empresa criou o Douyin, aplicativo de vídeos curtos, para concorrer com a Musical.ly, basicamente um app de lip-sync (sincronia labial) lançado em 2014, que permitia ao usuário dublar a voz de seus artistas preferidos. Em menos de um ano, o Douyin já contava com mais de 100 milhões de usuários ativos e 1 bilhão de visualizações diárias de vídeos.
Foi então que a história começou a se ocidentalizar. Em setembro de 2017, a ByteDance fez um “rebranding” internacional e disponibilizou o Douyin para mercados fora da China, com o nome de TikTok (no país asiático o título original permanece).
Havia, no entanto, dois poréns. O concorrente Musical.ly já tinha alcance global e um público fiel em diversos mercados em que o TikTok queria entrar, entre eles Estados Unidos, Europa e Brasil. Como os serviços de ambos eram parecidos, não haveria estímulo para um usuário trocar de aplicativo.
A solução para Zhang, hoje uma das dez pessoas mais ricas da China, foi comprar, em novembro de 2017, o Musical.ly por um valor estimado em US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5 bilhões), com participação de investidores, depois de o Facebook ter feito uma investida fracassada.
Conhecida na China como “fábrica de apps”, a ByteDance, especializada em plataformas móveis com recursos de inteligência artificial, é hoje a startup mais valiosa do mundo, avaliada em US$ 100 bilhões (R$ 500 bilhões) —e está se preparando, segundo especialistas, para uma futura oferta pública de ações em bolsa.
Se hoje o TikTok é o fenômeno que é, um dos méritos se deve à decisão de encerrar o Musical.ly de forma gradual. Apenas em agosto de 2018 seus usuários foram avisados que o serviço havia sido descontinuado, porém bastaria baixar o TikTok para que todo o conteúdo armazenado no antigo dispositivo fosse recuperado.
A história é importante, mas não explica tudo. Afinal, por que algumas redes explodem e outras não? Uma mistura de elementos aleatórios contribuiu para fazer do TikTok uma sensação, uma espécie de sopa primordial adaptada ao ambiente digital.
O Vine foi um serviço de vídeos de até seis segundos fundado em junho de 2012, comprado pelo Twitter em outubro do mesmo ano. Era preciso ser criativo para criar vídeos virais tão rápidos, princípio fundamental do TikTok.
Para continuar lendo é só clicar aqui: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2020/07/por-que-o-chines-tiktok-bombou-e-incomoda-trump-e-zuckerberg.shtml
FOLHA DE SP
Fonte: Blog do BG
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