01 de jan. de 2015 - Por bruno
Por Interino
O PSDB vai assumir hoje o sexto mandato à frente do governo de São Paulo. São 20 anos no comando do maior estado do país e um recorde nacional: nenhum partido está há tanto tempo na gestão de uma administração estadual. Quem mais se aproxima dessa marca é o PT do Acre; pelas mãos dos irmãos Jorge e Tião Viana, a legenda completará 16 anos no poder. Somente o governador Geraldo Alckmin caminha para seu 10º ano no Palácio dos Bandeirantes.
Ao longo desses 20 anos de PSDB no governo, foram muitos altos e baixos. Se a vitória de Alckmin no 1º turno este ano foi um passeio, em 1998 o partido viu a reeleição de Mario Covas quase fugir das mãos. Antes da votação histórica de Aécio Neves em São Paulo na eleição presidencial, foram três derrotas consecutivas de tucanos paulistas para a Presidência. Acostumado a ditar os rumos do partido em nível nacional, a ala paulista teve de amargar a ascensão de Aécio. Isso sem falar nas disputas internas a cada ano de eleição e, mais recentemente, no escândalo de corrupção do cartel dos trens e metrô e a crise da escassez de água.
Mas a eleição de Alckmin foi a redenção para o PSDB paulista. Escanteado das decisões do partido desde 2010, o tucanato de São Paulo crê ter recuperado o espaço perdido após os resultados das urnas deste ano. São Paulo se tornou o “bunker” do PSDB nas palavras de lideranças do partido no estado, ainda mais pela perda de Minas para o PT. Para alguns, significa disputar em pé de igualdade a vaga na disputa à Presidência em 2018. Alckmin, que perdeu em 2006, volta à lista dos potenciais presidenciáveis.
BANCADA MENOR NA CÂMARA
Entretanto, de maneira geral, o partido não tem muito o que comemorar. A bancada na Câmara é menor hoje do que há 20 anos. Em 1994, na esteira da eleição de Fernando Henrique, o partido elegeu 18 deputados paulistas. Hoje são 13, e, na próxima legislatura, serão 14.
O número de prefeitos também caiu ao longo dos anos. Na década de 1990, o PSDB chegou a ter 216 prefeituras. Agora são 174. A eleição de deputados estaduais seguiu caminho inverso. Este ano, os tucanos conquistaram nas urnas um número recorde de cadeiras: 22. Em 1994, eram 17.
A professora de Ciência Política Maria do Socorro Sousa Braga, da UFSCar, acredita que esse quadro de perda de prefeitos e deputados está diretamente ligado ao fim da gestão de FH:
— Com a chegada do PSDB ao governo federal, SP teve tratamento diferenciado e foi bastante privilegiado com o repasse de recursos, principalmente o interior paulista, até hoje alicerce das vitórias eleitorais de Alckmin. A injeção de dinheiro em obras e estradas tem peso nas eleições de prefeitos e deputados. Com a saída do partido, é natural o impacto nesse cenário.
O professor do Departamento de Política da PUC-SP Francisco Fonseca explica que o mais interessante na situação política paulista é que, mesmo diante de um cenário adverso para os tucanos, a oposição não conseguiu se desenvolver:
— Vejo apenas uma explicação para esse fenômeno. É a combinação de oposição muito ruim e perfil de eleitorado muito conservador. Na eleição deste ano, ficou claro o sentimento antipetista em São Paulo — afirma o analista.
Maria do Socorro aponta também um pouco de sorte do PSDB no processo político local. Esse eleitorado conservador, representado por uma elite que vive no interior do estado, nem sempre foi simpático à sigla. Pelo contrário, ela é órfã do malufismo e do quercismo, duas correntes políticas de direita que já foram muito fortes em São Paulo, mas que, ao longo dos anos, perderam espaço junto com seus caciques Paulo Maluf e Orestes Quércia, que governaram o estado na década de 1980:
— O PSDB absorveu os redutos deixados pelo malufismo e pelo quercismo. Foi como estar no lugar certo na hora certa.
Também não é coincidência, segundo analistas, a guinada do PSDB paulista para a direita nos últimos anos. Lideranças do partido participaram de protestos este ano que pediram, além do impeachment de Dilma Rousseff, a intervenção militar.
— Definitivamente, essas teses têm pouco a ver com o espírito da social-democracia do início do PSDB — afirma Fonseca.
Outra discussão é o risco da longevidade no poder.
— Continuidade pode levar a maior conhecimento do estado. Mas também pode representar práticas como cerceamento de órgãos como Judiciário e Ministério Público — conclui Maria do Socorro.
O Globo
Fonte: Blog do BG
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