19 de nov. de 2013 - Por bruno

Foto: Divulgação
Três décadas atrás, o PT era uma sigla em formação, integrada por intelectuais de esquerda e com um braço sindicalista muito forte a partir de lideranças que se firmavam na luta contra o regime militar, dentre elas um certo torneiro mecânico chamado Luiz Inácio Lula da Silva.
Quando as greves no ABC paulista se tornaram um grave problema, o regime militar usou a Lei de Segurança Nacional para enquadrar os líderes. Lula conheceu a prisão e se firmou de vez como liderança dos trabalhadores. Recebeu o apoio de políticos como Ulysses Guimarães, o eterno anticandidato contra o regime e um sociólogo chamado Fernando Henrique Cardoso, a quem Lula viria a apoiar para o Senado em 1986.
Todos estiveram juntos na campanha das Diretas Já mas terminam a década separados. Lula conheceu sua primeira derrota, Ulysses pagou o preço do apoio do PMDB a José Sarney e FHC se firmava junto com o PSDB numa trajetória que o levaria, em 1994, a derrotar Lula e virar presidente da República.
A relação do PT com o Parlamento nunca foi das melhores. Lula foi deputado constituinte e chegou a dizer que o Congresso reunia uns “400 picaretas”
Depois de três derrotas consecutivas, Lula chegou à Presidência da República se tornando o sucessor de FHC.
Para chegar ao poder, o PT teve que se abrir e buscar apoios no centro. Não foi à toa que o companheiro de chapa de Lula em 2002 foi o senador e empresário mineiro José de Alencar.
No poder, o PT teve de se render à prática política que faz o Governo negociar a aprovação de projetos, a validade de Medidas Provisórias e a confirmação de vetos presidenciais. O toma-lá-dá-cá é prática rotineira no Congresso.
Em 2005, com Lula consagrado como liderança, veio à denúncia de que o Governo custeava, por vias escuras, diversas bancadas partidárias para poder garantir o apoio necessário.
A casa caiu. José Dirceu, que Lula preparava para ser o seu sucessor, virou alvo e junto com ele começaram a cair em ostracismo figuras políticas do primeiro escalão petista.
Blindado pela estratégia de que não sabia de nada, Lula foi reeleito. Mas o PT nunca mais teve sossego e o caso do Mensalão passou a ser um fantasma a assombrar o partido e seus dirigentes.
Lula conseguiu eleger sua sucessora, mas não conseguiu evitar o andamento do processo do Mensalão. E viu Joaquim Barbosa, a quem foi buscar nos quadros do Ministério Público para ser ministro do Supremo Tribunal Federal, virar o algoz do PT e dos dirigentes envolvidos no escândalo.
Agora, os petistas se vêem obrigados a visitar os companheiros na prisão. Dirceu e José Genoíno se dizem presos políticos em plena Democracia. Só o constrangimento é maior do que a contradição.
E o PT começa a pagar pela convivência no poder e as relações nada edificantes entre Governo e Congresso, entre situação e oposição.
Lula já não pode acusar o Congresso de ter uns 400 picaretas.
Se ele ou qualquer outro petista ousar repetir tal acusação, corre sério risco de ouvir nomes de companheiros e dirigentes que se diziam ideologicamente puros e imunes às relações promíscuas que marcam a política brasileira.
O PT começa a descobrir, na cadeia, que não conseguiu mudar a política brasileira. Pelo contrário, ao que parece, o Mensalão já consegue provar que o PT não é mais o mesmo.
Vai ser um duro aprendizado.
Fonte: Blog do BG
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