11 de jul. de 2014 - Por bruno
O WhatsApp, popular aplicativo de troca de mensagens por celulares, é uma das armas escolhidas pelo PT para viralizar a campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff. A legenda aposta que o celular vai ser uma das plataformas de disseminação de conteúdo, seja positivo ou não, nesta eleição. Às vésperas do jogo do Brasil contra a Alemanha, o comitê enviou a foto de Dilma fazendo um “T” com os braços, em alusão ao “É tóis”, sinal feito pelo atacante Neymar. Desde o início do torneio, a presidente é acusada de fazer uso político da realização da Copa. Com a goleada sofrida pela seleção e a consequente desclassificação da equipe, os usuários receberam outra mensagem, desta vez pedindo para que o povo não misture o fracasso do time com o evento:
“Muita gente (do contra) achou que não iríamos dar conta de organizar tamanho evento, mas tudo está indo muito bem. Aeroportos, portos, infraestrutura… tudo está funcionando para deixar esses pessimistas mais estressados ainda. A imprensa internacional nem sabe mais como elogiar os brasileiros. Até a mídia nacional andou fazendo um mea-culpa, como se não fosse com ela o estímulo ao pessimismo. Diante de uma derrota, nós não abaixamos a cabeça. O Brasil é campeão há 12 anos. Os derrotistas de plantão vão tentar colar um sentimento pessimista a um movimento que é típico do futebol. Nós não vamos deixar. Continuamos de cabeça erguida! Somos brasileiros!”
Oficialmente, o canal foi criado para abastecer militantes de mensagens e informações positivas sobre o governo e a presidente Dilma Rousseff. Mas integrantes petistas não descartam a utilização do novo meio para viralizar ataques à campanha adversária.
– O WhatsApp virou um importante instrumento de comunicação entre as pessoas. Na nossa avaliação, ele será fundamental nesta eleição para a disseminação de conteúdo – afirmou ao GLOBO um petista ligado à coordenação da campanha.
Questionado se o envio irá se ater às mensagens positivas, ele respondeu:
– Iremos usar nossas armas.
No final de junho, durante uma convenção do PT, em Salvador, a presidente Dilma afirmou que era vítima de uma “política desqualificada”, e que os adversários apelavam por falta de argumento. O coro foi repetido à exaustão por dirigentes petistas como o ex-presidente Lula e o presidente da legenda, Rui Falcão, que chegou acusar a oposição de usar a internet para atacar o governo e a presidente.
Contudo, o apelo não parece ter tido efeito dentro da própria campanha de Dilma. No site Muda Mais (mudamais.com), mantido pela campanha da presidente, há ataques diretos a adversários do PT nesta eleição. Um dos exemplos é uma montagem utilizando a imagem do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), candidato a vice-presidente da República.
Na postagem “O vice de Wallécio não agrega valor ao camarote”, publicada no dia 1 de julho, o candidato tucano à presidência, Aécio Neves, é chamado de Wallécio, em referência ao personagem Wally da famosa série de livros “Onde está Wally?”. Ainda na mesma postagem, há uma montagem usando a imagem do senador e uma matéria publicada na revista “Veja” intitulada “Os sultões dos camarotes”, onde aparece a foto tirada do empresário Alexander de Almeida com o rosto do senador Aloysio Nunes.
A assessoria de campanha da presidente Dilma afirmou que o site Muda Mais baseia-se em uma linguagem jovem, engajada, respeitosa e bem-humorada. E que uma de suas principais diretrizes é a disputa no campo político entre dois projetos de país, sem agressões pessoais ou infundadas a indivíduos ou candidatos de qualquer partido. Na avaliação da campanha, a associação de Aloysio ao “Rei do Camarote” não representa “qualquer espécie de ataque pessoal ao candidato”.
Ainda segundo a assessoria de imprensa da presidente, “os conteúdos do Muda Mais, como já foi dito, estão pautados no debate político, expondo posições públicas das pessoas e partidos mencionados, sem agressões pessoais. Divulgando informações embasadas inclusive por outros veículos de comunicação.”
O GLOBO questionou se a campanha da presidente Dilma tinha a autorização da Veja, do Grupo Abril ou do fotógrafo Fernando Morais para realizar uma montagem com a foto do empresário. A assessoria informou que não ia responder à pergunta. O GLOBO apurou que não há autorização de nenhuma das partes.
A coligação petista ao Planalto é, até o momento, a única a ter um canal no WhatsApp para falar com os eleitores. As campanhas dos candidatos a presidente Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) ainda não bateram o martelo se vão usar ou não a plataforma. A campanha tucana é a mais atrasada em interação com o eleitor. A chapa encabeçada por Aécio ainda não lançou site oficial e nem páginas exclusivas para a eleição nas redes sociais.
O GLOBO
Fonte: Blog do BG
Carregando comentários...

02 de ago. de 2026

02 de ago. de 2026

02 de ago. de 2026

02 de ago. de 2026