01 de fev. de 2017 - Por bruno
Cabia ao diretor do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho, o papel de apelidar os políticos envolvidos no esquema de corrupção da empreiteira. O executivo foi preso preventivamente em março do ano passado na Operação Xepa, na 26ª fase da Operação Lava-Jato.
Mais conhecido como Bel Silva, o supervisor do “departamento de propina” era o homem de confiança de Marcelo e Emílio Odebrecht sendo peça-chave nas investigações do Ministério Público Federal. O executivo da empreiteira foi apontado como operador de propinas por meio de empresas abertas em paraísos fiscais.
Figura carimbada em Salvador, Bel é amigo do cantor Bell Marques, da banda Chiclete com Banana, e frequentador do terreiro Gantois, em Salvador. Era sócio da família Odebrecht nos restaurantes Chez Bernard e no Baby Beef Alvarez, ambos na capital baiana. Junto de sua esposa, Celia Silva, o casal ia a eventos privilegiados da alta sociedade, como no jantar da grife Van Cleef & Arpels, em setembro de 2014. A relação com a família da empreiteira é tão próxima que os irmãos Odebrecht foram convidados a participar do casamento do filho do casal Silva em 2008.
Bel foi citado durante as investigações da Lava-Jato por sua ex-secretária, Maria Lúcia Guimarães Tavares, presa em maio de 2014, durante a operação Acarajé – termo usado para se referir ao dinheiro em espécie dado como propina. Submetido a severos tratamentos de saúde, teve a prisão domiciliar temporária decretada pelo juiz Sérgio Moro e é monitorado por uma tornozeleira eletrônica.
O executivo em breve terá uma nova cela. Trata-se de um apartamento no residencial Mansão Wildberger, ainda em construção e localizado no Largo da Vitória, área nobre de Salvador. Com metragem mínima de 450m², a casa pode ter de quatro a cinco suítes. Ela deve ser entregue ainda este ano e tem valor estimado em sete milhões de reais.
A LISTA DA ODEBRECHT
Entre os presentes na lista da Odebrecht, pelo PMDB estão o secretário executivo do Programa de Parcerias e Investimentos, Moreira Franco (Angorá), o ex-ministro Geddel Vieira Lima (Babel), o deputado Lúcio Vieira Lima (Bitelo), o senador Romero Jucá (Caju), o deputado Eduardo Cunha (Caranguejo), o senador Eunício Oliveira (Índio), o deputado estadual Adolfo Viana (Jovem), o senador Renan Calheiros (Justiça), o deputado federal Colbert Martins (Médico), o ministro Eliseu Padilha (Primo) e o ex-ministro de turismo Henrique Alves (Tique Nervoso).
Pelos Democratas (DEM), fazem parte dos citados o deputado Rodrigo Maia (Botafogo), o deputado José Carlos Aleluia (Missa) e o senador José Agripino (Pino ou Gripado). Já entre os parlamentares do PT, estavam o ex-senador Delcídio do Amaral (Ferrari), o deputado Marco Maia (Gremista) e o ex-ministro Jacques Wagner (Pólo).
Os codinomes que aparecem para os integrantes do Partido Progressista (PP), são do senador Ciro Nogueira (Cerrado), do deputado Paulo Henrique Lustosa (Educador), do ex-ministro Mário Negromonte (Monte), do senador Francisco Dornelles (Velhinho) e do vice-governador da Bahia João Leão (Zoológico).
O PTB é citado com o ex-senador Gim Argello (Campari), o deputado Paes Landim (Decrépito) e o prefeito de Manaus, Artur Neto (Kimono). Pelo PSDB, o deputado Duarte Nogueira (Corredor), o senador Aécio Neves (Mineirinho), o deputado federal Jutahy Magalhães (Moleza) e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (Santo).
O PSD conta com o deputado federal Hugo Napoleão (Diplomata) e Antônio Brito (Misericórdia). Já o PPS é representado na lista pelo senador Cristovam Buarque (Reitor) e pelo deputado Arthur Maia (Tuca).
Os codinomes envolvem ainda o PSB, com o deputado Heráclito Fortes (Boca Mole), a senadora Lídice da Mata (Feia) e a senadora Lúcia Vania (Laquê); o PL, com o ex-deputado Inaldo Leitão (Todo Feio); o PCdoB, com o deputado Daniel Almeida (Comuna); e o PV, com o nome do vereador Paulo Magalhães Júnior (Goleiro).
As delações feitas por Melo Filho citaram ainda o prefeito de São José dos Campos, Carlinhos Almeida (PT-SP), o ex-deputado João Almeida (PSDB), o governador Rui Costa (PT) e o presidente da FIESP, Paulo Skaf (PMDB). Além dos codinomes “Las Vegas” e “Fazendeiro” para o ex-assessor de Dilma Rousseff, Anderson Dornelles e para o Integrante do Comitê de Financiamento e Garantia de Exportações, Flávio Dolabella, respectivamente.
Por Isabella Ribeiro – especial para o Blog do Moreno (O Globo)
Fonte: Blog do BG
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