11 de abr. de 2011 - Por bruno
Tarifa alta para quem paga, baixa para quem recebe. Falta de investimento do poder público, malha viária obsoleta e insatisfação natural dos usuários do sistema. Hoje, o transporte público em Natal não agrada ninguém.
É assim que pode ser resumida a situação do sistema de transporte coletivo. De um lado, uma atividade que gera 6 mil empregos diretos, mas que passa sérias dificuldades. Do outro, um município que não melhora sua malha viária, não investe nem cria mecanismos de incentivos, mas que exige cada vez mais dos empresários.
Na outra ponta, os usuários que enfrentam horas em paradas, muitas delas sem proteção, sem conforto nem segurança e que ainda pagam caro pela tarifa. E que pagam também para que mais de 1/3 dos usuários tenham benefícios.
Hoje, o Blog do BG vai abrir a caixa preta do transporte coletivo da capital.
As empresas de transporte coletivo estão no seu limite. Muitas delas sequer podem tirar certidões negativas. Há 10 anos, as empresas de transporte lideravam a lista dos 100 maiores contribuintes de ISS. Hoje, só duas delas aparecem no Top 100.
Explicação? Simples: o declínio do sistema na arrecadação, os alternativos que são concorrentes e nada recolhem e os aumentos dos custos operacionais.
O desenvolvimento da planilha tarifária contempla apenas os custos das empresas para colocar os ônibus nas ruas.
São colocados nesta planilha custos com insumos (diesel), pneus, câmaras, recapagem de pneus, salários de motoristas, cobradores, pessoal de oficinas, impostos, quilômetros rodados e tantos outros itens …
Em cima de todo o custo da empresa para colocar a frota na rua, é que é calculado o custo da tarifa.
Aí vem a pergunta básica: como as empresas lucram então? Simples: economizando a ferro e fogo os itens da planilha. Lutando e fiscalizando para gastar menos pneu, menos diesel, menos câmaras, tendo ônibus mais novos que depreciem menos, que gastem menos oficina de manutenção, controlando cobradores para evitar furos, ou seja, tentando minimizar os custos para que sobre dinheiro no caixa. É uma realidade cruel.
É uma conta perversa se levarmos em consideração alguns números.
O número de gratuidades no transporte coletivo só cresce. São idosos (previsto em Lei), carteiros, oficiais de Justiça, deficientes físicos e acordos informais com policiais, por exemplo.
Some-se a isto 160 mil estudantes que pagam metade da tarifa, ou seja, de um universo de pouco mais de 500 mil usuários, 1/3 é formado por estudantes que pagam metade e outro percentual alto e formado pelas gratuidades que citamos.
Logo, quem paga por esses benefícios? Quem paga para que mais de 1/3 dos usuários tenham benefícios? Quem paga são os não estudantes, nem idosos, nem carteiros, nem oficial de Justiça, são os passageiros comuns.
O município também não paga por isso, pelo contrário, cria cada vez mais sistemas de benefícios, exige que as empresas tenham ônibus adaptados para deficientes mas, sequer cuida de ter paradas dignas.
O município legisla em seu favor feito Leão mas, trabalha como gatinho para cumprir.
Transporte coletivo é uma atividade cara, que requer investimentos constantes. Um simples pneu custa R$ 1.189,00 lembrando que cada ônibus tem seis pneus. Logo, são R$ 7.135,00 somente de “borracha”.
O fato é que a atividade que sustenta seis mil famílias de trabalhadores vive dias de penúria. A atividade segue sendo visto por parte da população como vilã da história, mas o fato é inverso.
O usuário também está correto por sua insatisfação. A tarifa é cara, não há estruturas de paradas, abrigos.
Hoje, o sistema de transporte coletivo em Natal é um caso inédito. Não agrada ninguém e ninguém está satisfeito.
*Essa é a primeira de uma série de três reportagens. Amanha 2ª parte da reportagem.
Fonte: Blog do BG
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