24 de out. de 2013 - Por bruno

Foto: Divulgação
Por Alex Viana – Jornal de Hoje
A governadora Rosalba Ciarlini (DEM) defendeu a lisura do seu governo, afirmando que não há escândalos e que combate a corrupção. Ele chegou a fazer menção indireta à ex-governadora Wilma de Faria, presidente estadual do PSB e atual vice-prefeita de Natal, afirmando que na atual gestão inexistem escândalos de corrupção, diferentemente da gestão da antecessora.
“Olhe, em meu governo não tem escândalo de saúde, Operação Hígia, de se contratar banda de forma irregular, não houve nada disso. Nós temos, inclusive, tido uma postura de total combate à corrupção”, afirmou a governadora, em entrevista ao “Jornal da Cidade”, da FM 94.
As palavras de Rosalba lembram a operação da Polícia Federal que em 2008 resultou na prisão do advogado Lauro Maia, filho da ex-governadora Wilma de Faria, suspeito de praticar tráfico de influência como integrante de um esquema que teria desviado cerca de R$ 36 milhões dos cofres públicos do Estado, via Secretaria Estadual de Saúde. O caso ainda está sendo analisado pela Justiça Federal.
Além disso, Rosalba também fez menção ao Foliaduto, desvio de R$ 2,2 milhões de verbas do Tesouro Estadual por meio de processos fraudulentos de contratação de bandas via Fundação José Augusto (FJA), em 2005. Apesar de associar o caso a Wilma, o irmão da ex-governadora, então secretário-chefe do Gabinete Civil, Carlos Faria, acusado pelo Ministério Público de ser o “autor intelectual” do desvio, foi excluído da ação pela Justiça. O Ministério Público recorreu. Em nenhum dos episódios, há indício de participação direta da ex-governadora, o que garantiu a ela o direito de se candidatar a vice-prefeita nas eleições passadas. Wilma é pré-candidata do PSB a governadora do Estado nas eleições de 2014.
Ainda ao falar sobre a inexistência de escândalos na sua administração, Rosalba disse que “qualquer informação de que esteja havendo qualquer tipo de mau uso do dinheiro público, nós não tripudiamos (sic) em demitir, em abrir processo, porque o dinheiro que nós trabalhamos é do povo”, afirmou.
As respostas de Rosalba se derem no contexto de defesa às declarações de Wilma no dia anterior, quando a ex-governadora acusou a gestão atual de má administração e de falta de transparência. Quanto a isso, Rosalba disse que “esse governo tem um Portal da Transparência, está lá na internet, para todo mundo ver o que se paga, o que se deixa de pagar, às vezes até sendo questionado, levantam, comentam, porque está ali dizendo claramente os recursos e como estão sedo gastos”, observou.
Rosalba ainda lembrou que o secretário Obery Rodrigues (Planejamento e Finanças) entregou ao Ministério Público os extratos bancários para serem usados na instrução do inquérito civil aberto pela Procuradoria Geral de Justiça com vistas a esclarecer a situação financeira e orçamentária estadual. “E o Ministério Público quis saber mais detalhes, acompanhar a conta. Qual foi o governo que fez isso, de entregar (os extratos) ao Ministério Público? Eu poderia até arguir judicialmente”, disse, criticando a falta de transparência do governo federal no tocante aos gastos com cartões corporativos. “O próprio governo federal é em segredo as despesas de cartão corporativo, e o Estado não tem cartão corporativo. Talvez outros órgãos tenham e é até bom a imprensa saber se tem. Os cartões corporativos do governo federal ficam em segredo a sua destinação; se sabe o valor total, mas não a que se destina”, ressaltou.
“Quem não deve, não teme. Nós não temos medo de MP”
Durante a sua entrevista, Rosalba afirmou que o seu governo é transparente e que não teme investigações do Ministério Público. Lembrando que os questionamentos quanto ao orçamento estão sendo respondidos, ela afirmou que, quem não deve, não teme.
“Entregados todos os extratos. Porque nós não temos medo de Ministério Público. A transparência existe nesse governo, tanto que existe um Portal da Transparência, coisa que não existia no passado. Qualquer informação (solicitada com vistas à investigação) nós entregamos sem nenhuma dificuldade. Abrimos as portas do Estado, entregamos todos os extratos bancários, porque quem não deve não teme”, disse Rosalba.
A chefe do executivo estadual classificou de “difícil” a situação financeira do Estado, justificando o atraso nos salários no mês passado. Quanto a se atrasará novamente os vencimentos referentes a outubro, a governadora disse que está avaliando as condições. Ela disse ainda que poderá fazer “mais restrições” para que o Estado pague os servidores.
Ao abordar a polêmica em torno da frustração de receitas – que, segundo o governo, só neste mês, contabilizou R$ 52 milhões a menos de Fundo de Participação do Estado (FPE) – a governadora reforçou que haverá novo atraso dos salários.
“O ICMS não conta para o pagamento de salários. Ele tem que cumprir obrigações, aí o que resta, se usa para custeio e para pessoal. Já o FPE, só esse mês R$ 52 milhões de frustração. Eu tinha feito no começo do mês uma programação com Dr. Obery, mês passado a gente teve aquela notícia ruim para o funcionalismo, desgastante até, mas não tinha o que fazer. Dos 105 mil funcionários, 6 mil e 600 foram pagos só no dia 10. O restante recebeu no dia 30. Esse mês a gente já ia trazer esse restante para voltar a ser nos dois últimos dias. Aí vem a programação do FPE, nos informa o Tesouro Nacional que caiu R$ 52 milhões. Como é que em poucos dias você vai conseguir repor R$ 52 milhões? Tá faltando para pagar salários. Agora vamos ver como é que está a Receita, saber de onde pode ser tirado”, afirmou.
Ainda de acordo com a governadora, atrasar o salário é “difícil”, porque são 104 mil pessoas que dependem do salário estadual. “Eu cheguei de Brasília ontem e já marquei uma reunião com a equipe para eles me passarem alguns dados e depois a gente vai estar sentando, analisando, juntando, fazendo mais restrições. Nós já tivemos um decreto restringindo uma série de questões”, afirmou, lembrando o decreto que determinou uma série de medidas administrativas de restrição de gastos com telefone, passagens aéreas e combustíveis em julho. Segundo ela, por conta do decreto o Estado contabiliza economia em vários setores.
“Claro que já há resultado desse decreto, porque eu vou lhe dar aqui um exemplo: se na Sethas nós entregamos 12 carros que estavam alugados, já tem resultado. Agora, o resultado nunca sai num primeiro mês, vai resultar nos meses subsequentes. Gasolina, por exemplo, já diminuímos de 11 mil litros por mês para 7 mil, agora preservando segurança, saúde e educação; nos outros órgãos está ali contando gota a gota”.
Jornal da Cidade – Vaias. Qual foi o sentimento da senhora?
Rosalba Ciarlini – Na realidade ali era um ambiente fechado que foi organizado para a festa, eu estava só com a secretária de educação e na realidade houve uma expressão daqueles que estavam lá, mas não foram todos. Aqueles que estavam no palco viam perfeitamente que eram os que estavam mais atrás, nessa movimentação. Não vi nada de excepcional, porque você tem na vida pública, aplausos, e à vezes aqueles que estão vaiando podem até aplaudir. Talvez eles não tenham conhecimento do que está sendo feito.
Fonte: Blog do BG
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