18 de mai. de 2014 - Por bruno

Foto: Divulgação
“Se der empate na Copa, a Dilma e o PT ficam no lucro”, brinca um ministro sobre o evento que passou de ativo a passivo político difícil de ser administrado.
A menos de um mês da Copa, a cúpula do governo avalia que perdeu a principal batalha de comunicação: a de que valeria a pena sediar o maior espetáculo de futebol da Terra porque isso traria dividendos de curto e longo prazo ao país.
No curto prazo, uma melhora da autoestima por ser vitrine mundial durante um mês, exibindo o inegável ganho de importância do Brasil no cenário político internacional. No longo prazo, mais desenvolvimento econômico e social. Ou seja, obras de infraestrutura e mobilidade urbana do legado pós-Copa.
Resta agora trabalhar pelo “empate”, que dependeria basicamente de três fatores. Dois estão nas mãos do governo federal em maior ou menor grau.
Primeiro fator: combater e vigiar protestos de grupos pequenos e violentos com cautela para evitar feridos ou mortos, o que mancharia o evento em escala planetária. O segundo é gerenciar a infraestrutura inacabada, sobretudo os aeroportos, a fim de evitar tropeços. Em relação ao terceiro fator, o Palácio do Planalto só pode torcer para que o desempenho da seleção esquente os ânimos, criando um clima mais favorável ao evento.
Há esperança de que, quando a competição começar, a importância da Copa no país do futebol crie uma atmosfera positiva que se reflita na cobertura da grande imprensa. Por ora, o noticiário negativo prepondera.
A presidente Dilma Rousseff e seus auxiliares consideram que o resultado da Copa não influenciará o voto nas eleições de outubro. No entanto, o diagnóstico é de uma fase complicada para a presidente atravessar com os baixos números de popularidade que ostenta hoje. Se o time do Brasil for mal, será mais complicado dosar as aparições públicas e os discursos e tuítes da presidente.
Preocupação: como lidar com as vaias esperadas na abertura da Copa no Itaquerão, em 12 de junho, na partida entre Brasil e Croácia?
Está decido faz tempo que a presidente não discursará. Vaias também já estão na conta do governo. Mas a forma de anunciar a presença da presidente no estádio tende a ser curta e grossa para deixar a bola rolar logo a fim de evitar dar oportunidade a uma cena constrangedora. Entrar em campo para dar pontapé inicial nem pensar.
Em todos os encontros recentes com jornalistas, Dilma disse que “tem o que mostrar”. Traduzindo: realizações de seu governo. Mas sabe que só conseguirá vender seu peixe com eficiência no horário eleitoral gratuito, que começará em 19 de agosto.
Até lá, o governo vai suar para “empatar” na Copa e passar por julho esvaziando as CPIs da Petrobras no Congresso. O objetivo da cúpula do governo é chegar a 19 de agosto com Dilma em condições de recuperar cacife com a propaganda política para se reeleger.
A vitória em primeiro turno parece uma miragem. Na segunda fase, as duas campanhas terão o mesmo tempo, o que iguala o poder de fogo. Dilma prefere enfrentar Aécio Neves (PSDB) a Eduardo Campos (PSB). Contra qualquer um deles, o PT sabe que será importante usar a vantagem avassaladora de tempo que a aliança do partido terá no primeiro turno. A reeleição pode não vir no primeiro turno, mas precisará ser ganha politicamente nessa fase, segundo avaliação da cúpula do governo.
O programa do PT que foi ao ar na quinta e o comercial dos “fantasmas do passado formaram uma ofensiva destinada a tentar estancar a queda nas pesquisas. Objetivo: manter o núcleo duro do eleitorado petista. Auxiliares da presidente estimam que esse público está em 35% _exatamente a taxa de avaliação de governo ótimo ou bom da pesquisa Datafolha do começo de maio.
Em resumo, é assim que a presidente e seus estrategistas enxergam o caminho até o momento da campanha em que terão armas para tentar o desgaste do governo devido à crise da Petrobras e às críticas à política econômica em particular (inflação abaixo do teto da meta, mas alta) e a presidente em geral (uma gerente que teria desapontado).
IG
Fonte: Blog do BG
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