23 de jan. de 2015 - Por bruno
Flanelinha orienta motorista em Piratininga – Fernanda Dias / Agência O Globo
O banhista chega à praia de carro, estaciona e é abordado por um homem que lhe cobra dinheiro, entrega um papel e pede para que o posicione sobre o painel do veículo, à vista. A cena parece descrever a atuação de guardadores regulamentados, munidos de talonários. Porém, isso vem acontecendo na Prainha de Piratinga, e o pedaço de papel em questão, creditado aos “Guardadores Comunitários de Piratininga”, não tem qualquer autorização oficial. A prefeitura afirma que não reconhece o trabalho desta associação e que não permite a exploração do estacionamento na área.
A prática dos flanelinhas foi presenciada por Mariana Freitas, jornalista e leitora do GLOBO-Niterói. Ela fotografou o talão improvisado que recebeu dos guardadores irregulares e enviou para a equipe de reportagem. No canhoto, está impresso o valor cobrado pelo estacionamento: R$ 7 até as 19h.
— Assim que parei o carro, o flanelinha já chegou junto à janela e me entregou o papel, mandando eu colocar em cima do painel. Ele estava num grupo, com outros quatro homens, que também abordaram dois motoristas que estacionaram no mesmo momento. Eles exigiram pagamento imediato — conta ela.
A presença dos flanelinhas na Prainha de Piratininga foi flagrada também pela equipe de reportagem, que esteve no local na última terça-feira, quando um dos guardadores irregulares fez a abordagem e cobrou R$ 10 pelo estacionamento.
Segundo o presidente do Conselho Comunitário da Região Oceânica de Niterói (Ccron), Gonzalo Perez, a prática é comum no local. Ele afirma receber diversas reclamações de moradores, que sentem-se coagidos com a cobrança e acabam pagando o preço exigido por medo de terem o carro depredado como retaliação.
— A Guarda Municipal tem feito fiscalizações no local, mas não fica o dia inteiro na praia. Quando os guardas aparecem, os flanelinhas somem, depois de cerca de uma hora, os agentes vão embora e eles reaparecem. A solução seria trazer os guardadores autorizados pela prefeitura para esta área. Assim, o trabalho seria formalizado — avalia Perez.
A mesma cobrança irregular se repete em Camboinhas. Na orla do bairro, os flanelinhas chegam a cobrar R$ 15 por uma vaga. Lá, o município mantém dois estacionamentos regulamentados, com cobrança autorizada de R$ 5 a diária, feita por guardadores com uniforme da prefeitura e talonário em papel timbrado. Ambos ficam na Rua Doutor Geraldo de Melo, paralela à praia. Um deles no número 11.275, outro no 1.539. No restante da orla, no entanto, os guardadores irregulares permanecem atuando.
Segundo a secretária da Sociedade Pró-Preservação Urbanística e Ecológica de Camboinhas (Soprecam), Damiana Barbosa, além de cobrar tarifas abusivas e coagir os banhistas a pagar pelo estacionamento, os guardadores irregulares orientam a parar em locais não autorizados.
— Temos recebido muitas reclamações de estacionamento irregular. Basta passar pelo bairro, principalmente nos fins de semana, para ver carros em cima das calçadas, estacionados em fila dupla nas ruas e parados na frente das garagens das casas. Também é nos fins de semana que os flanelinhas chegam a cobrar R$ 15 dos motoristas — diz ela.
O estacionamento irregular também é frequente em Itacoatiara, onde motoristas estacionam dos dois lados da Avenida Mathias Sandri e em ruas internas. Diferentemente de Camboinhas, Piratininga e Itaipu, em Itacoatiara a equipe de reportagem encontrou, na última terça-feira, guardas municipais autuando carros parados em local proibido.
A prefeitura afirma que ações de ordenamento estão ocorrendo igualmente em todas as praias oceânicas e que desde o início da Operação Verão, em novembro do ano passado, mais de dois mil veículos foram autuados e quase 200 rebocados. Ainda de acordo com a prefeitura, a repressão aos flanelinhas é caso de polícia, por se tratar de exercício ilegal da profissão e caracterizar extorsão. Mesmo assim, a Guarda Municipal repreende os guardadores irregulares e ordena que se retirem. (Colaborou Lívia Neder)
O Globo
Fonte: Blog do BG
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